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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

ENSINO DE HISTÓRIA DE BRASILEIROS AFRO-DESCENDENTES:

 LEITURA SEM TEXTO, UMA MODALIDA A SER APLICADA AOS PARTICIPANTES DO ENSINO MÉDIO

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]

 

Resumo

No processo de construção e reconstrução dos conceitos, projetados pela história da construção da sociedade brasileira pontua-se neste estudo a vivência dos africanos aqui trazidos nas condições de escravos ou não relatando neste estudo uma brevidade de seu cotidiano e condições sociais com a finalidade de modelar o uso da literatura acadêmica e do emprego da leitura sem texto, com incentivo a pesquisa com aplicação para se ter esses elementos como ferramenta pedagógica com pretensões de uma aula participativa e geradora de uma nova visão do conteúdo e do ensino de história, atual, onde o participante possa ser engajar como sujeito crítico e reflexivo, contemplativo da temporalidade dos fatos recebendo informações que possam lhe promover transformações e melhorias de atitudes sociais.

 

Palavras-chave: Ensino. Afro-descendentes. Literatura sem texto.

 


TEACHING HISTORY OF AFRO-DESCENDANTS BRAZILIAN:

READING WITHOUT TEXT, A MODALIDE TO BE APPLIED TO PARTICIPANTS IN HIGH SCHOOL

 

Abstract

In the process of construction and reconstruction of concepts, projected by the history of the construction of Brazilian society, this study points out the experience of Africans brought here in the conditions of slaves or not reporting in this study a brevity of their daily life and social conditions in order to model the use of academic literature and the use of reading without text, with incentive to research with application to have these elements as a pedagogical tool with the pretensions of a participatory and generating class of a new vision of the content and teaching of history, current, where the participant can be engaged as a critical and reflective subject, contemplating the temporality of facts receiving information that can promote transformations and improvements in social attitudes.

 

Keywords: Teaching. Afro-descendants. Literature.

 

1- INTRODUÇÃO

O estudo se propõe a tematizar o emprego de literatura acadêmica e a leitura sem texto como mecanismo de aprendizado de conhecimentos, aplicado nas aulas de história, relacionados aos brasileiros afro-descendentes, e aos africanos trazidos ao solo brasileiro, por portugueses, na condição de servil. Não podendo esquecer que mesmo após o ultimato da Lei Áurea (1888), houve e ainda há ingresso no Brasil de etnias de origem africana. Não se pode generalizar que todos são brasileiros afro-descendentes sem antes, porém, contemplar sua origem ou genealogia.

 

Recordamos que a diáspora africana promovida pelos portugueses, especialmente nos século XVII e XVIII (BRITO, FABRÍCIO, 3012, p.37), resultou em uma série de ações da sociedade época, o que gerou manifestos contra o emprego da escravização humana, os quais vieram a ser transformados em tratados e Leis a partir de 1810 e nos anos que se seguem até a extinção da escravatura que veiculava no Brasil, no período colonial e imperial.

 

Percebe-se aqui o rico território de informações a serem exploradas no uso do ensino de história dos africanos vinculados as terras brasileiras, e seus descendentes que culminaram em cidadãos, deste País.

 

O texto se ampara na pesquisa bibliográfica de natureza exploratória, sem querer exaurir o assunto, justificando-se o trabalho pela escassez do tema relativo ao uso de artigos publicados e da leitura sem texto, espelhados como forma de aprendizado e perceptivo de geração de observação e conhecimento. Utiliza-se para isto os recursos existentes na internet, em publicações realizadas neste último decênio as quais fomentaram este estudo.

 

Como objetivo geral propõe-se o uso de publicações acadêmicas e imagem relativa ao tema explorado, para condução de geração de conhecimento para participantes do ensino médio. Especificamente instruir o emprego da pesquisa sobre o assunto em textos publicados na internet e no incentivo a pesquisa dos assuntos das imagens serem exploradas em aula.

 

O texto questiona: a viabilidade do uso destes recursos como ferramenta de aprendizado e levanta-se a hipótese que este método irá promover novos caminhos para a percepção de um olhar mais crítico sobre um conteúdo visto.

  

2 O USO DA LITERATURA ACADÊMICA

A produção acadêmica ou literatura acadêmica são as publicações de pesquisa acadêmicas, geralmente informações abertas disseminadas através da internet ( SIMON, 2010), o que nos visiona a possibilidade do alcance da informação e conhecimento, de forma gratuita a qualquer público.

A gratuidade destes conteúdos rompe algumas barreiras da impossibilidade de tê-las ao alcance e sua existência nas redes de computadores permitem que de alguma forma sejam compartilhadas.

 A pretensão do uso da Literatura Acadêmica, por certo é adequada, pois, tais artigos já foram articulados sobre referenciais fortalecendo seu conteúdo e segundo Martins (2008 p.1): “Os estudantes só aprendem a disciplina quando relacionam fatos, confrontam pontos de vista e consultam diversas fontes de pesquisa.”. Dessa forma o uso da Literatura Acadêmica, como leitura que precede a leitura sem texto é uma ferramenta importante no desenvolvimento do ensino.

 A exemplo, buscamos no texto de Sena e Mendes (2020, p.4) o trecho que fala do vestuário:

De acordo com Costa (1997), comumente, cada escravo recebia dois conjuntos de roupa por ano e estas eram trocadas aos domingos e lavadas uma vez por semana. A lavagem, aliada à exposição à chuva e ao sol, logo desgastavam a roupa e a transformavam em trapos, que, muitas vezes, falhavam na tentativa de cobrir o corpo de maneira decente. Ainda que fosse proibido aos senhores que deixassem seus escravos circularem pelas ruas sujos ou muito mal vestidos, resultando até em multas para as situações mais graves, muitos senhores pareciam não estar muito preocupados com a boa manutenção do vestuário desse tipo de escravo, principalmente aqueles cujas fazendas estavam mais afastadas das cidades, onde a fiscalização era mais branda. (SENA E MENDES, 2020, p.4)

 


Em contrapartida, os escravos domésticos possuíam uma vestimenta mais elaborada e de melhor qualidade estética em relação aos seus parceiros da senzala. Convivendo diretamente com os brancos, muitas vezes, possuíam roupas quase tão belas quanto a de seus donos, sendo os primeiros diferenciados apenas pela ausência de sapatos (SCHWARCZ, 1996).

 Diante do texto referenciado e da leitura deste artigo publicado em oito páginas, de fácil acesso e compreensão, quando se pode associar uma ou várias fotos de vestimentas usadas na época colonial-imperial, pela povoação negra e branca e abrir um dialogo a respeito da situação social, por exemplo.

 Não por menos instigar a pesquisa de novos textos por parte do estudante no que antecede a exposição do objeto da leitura sem texto.

 

3 O EMPREGO DA LEITURA SEM TEXTO

A leitura sem texto não é uma novidade na metodologia de ensino, facilmente se percebe seu emprego nos anos iniciais onde se disponibiliza o livro de imagens como parte ou roteiro para uma pré-alfabetização ou letramento literário e segundo Segabinazi (2017, p.27):

[...] alerta o leitor para o olhar mais sensível e mais aguçado, em busca de sentidos e sensações que as ilustrações oferecem; experiências que não se traduzem apenas na descrição das imagens, mas despertam para a construção de significados percebidos pelos detalhes, movimentos, cores, técnicas, texturas, estilos, expressões e etc.(SEGABINAZI, 2017, p.27).

 

O que se projeta para os estudantes de séries de ensino médio é uma abordagem mais ampla objetiva aos fatos aplicados a história dos povoadores escravos negros e abrasileirados, não por menos rememorar esta aplicabilidade em aula destas leituras que estão presente em nosso cotidiano como os emojis (Figura 1) e as tiras facilmente encontradas em publicações tais como as da Tuma da Mônica (Figura 2).

Figura 1 - Emojis

             
                       

segunda-feira, 16 de março de 2020

LIBERDADE ALFORRIADA: Mulheres que libertam mulheres


LIBERDADE ALFORRIADA:

Mulheres que libertam mulheres


Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1][2]

Resumo

A história dos afrodescentes no Rio Grande do Sul deve ser visionada em seus mais diversos aspectos, seja na herança cultural entrelaçada a cultura local, ou por impregnar o meio social com suas atividades manuais deixando o senhorio, refém de seus serviços. O texto foca especialmente na relação entre mulheres: senhora e escrava e na concessão de sua alforria, na forma de alforriamento, buscando exemplos em registros existentes, extraídos dos atos notariais, arquivados em Porto Alegre - RS. Fundamentam-se na pesquisa bibliográfica resultando na solução do problema levantado onde alcança a efetiva participação feminina na libertação do cativo.

Palavras-chave: Alforria. Escravo. Mulher. Liberdade.

MANUMISSION:
 Women who liberate women

Abstract

The history of Afro-descendants in Rio Grande do Sul must be viewed in its most diverse aspects, whether in the cultural heritage intertwined with the local culture, or by impregnating the social environment with their manual activities leaving the landlord hostage to their services. The text focuses especially on the relationship between women: mistress and slave and the granting of their manumission, in the form of manumission, looking for examples in existing records, extracted from notaries acts, filed in Porto Alegre - RS. It is based on bibliographic research resulting in the solution of the problem raised where effective female participation in the release of the captive reaches.

Keywords: Manumission. Slave. Woman. Freedom.

1- INTRODUÇÃO

O estudo se propõe a tematizar a ação da alforria, carta de liberdade, concedida pela senhora do escravo, motivada pelos serviços prestados ou pela influência impregnada pelo escravo no seio da família. Alforrias sem ônus, condicionais ou pagas. Uma pesquisa bibliográfica, que procura centrar entre os anos de 1700 e 1800, os propósitos para o texto, sem querer exaurir o assunto, mas apenas emblematizar a questão dos libertos, antes do firmamento da Lei Áurea e da alusão a queima de todos os registros proposto pelo Decreto Federal de 1890.

Justifica-se o estudo sobre este assunto por se constatar pouca e escassa menção da atuação feminina na concessão de carta de liberdade e por consequência trazer algumas informações sobre as condições de libertação do escravo. Fundamenta-se e se exemplifica buscando as informações existentes nos registros da Cidade de Porto Alegre - RS, onde já havia manifestação, por escrito, desde a época de 1750.

O objetivo geral recai na participação da mulher na relação senhora e escravo, visionando especificamente observar o poder desta senhora em consentir a alforria, compreender os motivos que levaram a concessão e mencionar as leis que se anunciavam na época.

O texto questiona: quais as condições da Senhora do cativo em conceder a carta de liberdade? E levanta-se a hipótese que a boa relação e atuação do cativo com sua senhora promovem a sua libertação. Que o cativo tinha liberdade de exercer atividades ganho economizando para obtenção sua alforria. Que havia uma relação harmoniosa entre senhora e cativo.
O estudo projeta reunir informações que proporcionem a solução do problema e articular as hipóteses levantadas de forma a registrar uma consideração final, apoiasse na pesquisa bibliográfica e exploratória para fundamentar o estudo.

2 ALFRORRIAMENTO DE MULHERES

O ingresso dos nativos africanos no Brasil colônia e Império[3] perduraram entre os anos de 1549 a 1850. Neste período a maior diáspora ocorreu entre os séculos XVII e XVIII; ocasionada pela necessidade de mão de obra barata para atividades da colônia, sendo os portugueses os maiores comerciantes deste gênero. O Brasil, por sua vez, recebeu, neste período, cerca de 4.000.000 de africanos subsaarianos (Brito, 2012). Em se tratando do Rio grande do Sul, para uma noção quantitativa registramos que: em 1862, a região contava com 315.306 almas livres e 77.419 escravos dos quais 17.024 estavam nas freguesias de Porto Alegre, comarca que contava com 77.872 de almas livres. Registrava-se uma proporção próxima de 50 % entre homens e mulheres escravos e em sua grande maioria com idades até 40 anos (CAMARGO, 1868).
Antes da promulgação da Lei que abolia em definitivo o processo de escravidão, o Brasil Colonial sofreu ações contrárias ao processo de escravização. O tratado de 1810 entre Portugal e Inglaterra impunha uma limitação do comércio de escravo para as colônias portuguesas ampliando as restrições de comércio humano fora das colônias portuguesas pelo tratado de 1815. Com a independência, em 1822, o Brasil reitera o tratado com a Inglaterra coibindo todo o tráfico de escravo para o Brasil. Surge a primeira Lei em novembro de 1831, que tornava livre todos os escravos, que entrassem no Brasil, por meio deste tráfico humano. Com ação mais enérgica influenciada por pressão da Inglaterra é promulgada a Lei n. 581 de 04 de setembro de 1850, chamada de Lei Eusébio de Queiroz que coloca medidas repressivas ao tráfico de escravo. Leis que foram insuficientes ao combate deste comércio, pois se registraram na época mais de 800.000 ingressos de escravo, no período de 1830 a 1856. (MAMIGONIAM, 2017, p.11).

Não foram apenas os tratados que ergueram os sentimentos abolicionistas, mas os ideais de direito universal, bem-estar e a liberdade que circulavam entre os diversos campos da sociedade ocidental, e focaram no exemplo da escravidão africana na posição de um mundo livre questionando a legitimidade deste comércio exigindo seu fim. (BRITO, 2012, p.70).

Há uma nítida percepção que estes sentimentos já estavam enraizados na colônia brasileira, pois se verificam através das cartas de alforria propostas de libertação do cativo. Dos anos de 1748 até 1888, quando foi promulgada a Lei Imperial 3.353 (Lei Áurea), constata-se nos registros notariais de Porto Alegre – RS a crescente concessão de carta de liberdade, destacando-se o ano de 1884 com a marca de 1018 manumissões. Lembrando que em 1884 a escravidão era extinta no Ceará e no Amazonas, e neste mesmo ano entra em votação a Lei dos Sexagenários, Lei 3270 que vigora a partir de 28 de setembro de 1885, conhecida como a Lei Saraiva Cotegipe que garantia a liberdade aos escravos com mais de sessenta anos.

Os números de carta aumentam na década de 1880, provavelmente pela existência da Lei 2040 de setembro de 1871 (Lei do Ventre Livre), que declara em condição livre todos os filhos de escravos nascidos no Império a partir da publicação da Lei e responsabiliza e obriga os senhores da escrava a criá-los até os oito anos de idade. A condição de liberdade é condicionada e pressupõem vinculo e ônus a serem cumprido até os 21 anos. Ao mesmo tempo a Lei diz em seu “Art. 3º. Serão anualmente libertados em cada província do Império tantos escravos quantos corresponderem à quota anualmente disponível do fundo destinado para a emancipação.” (SEED, 2019) e em seu Art. 4º, regra de alguma forma a alforria.

A alforria palavra de origem árabe com significado de “liberdade” passou a ser no Brasil o ato que o proprietário do escravo concede a sua liberdade (DICIO, 2019) e apresenta-se em três formas de concessão:

a)                 Alforrias sem ônus – quando o proprietário concede a libertação ao cativo sem restrições ou pagamento de ganho;
b)                 Alforrias condicionais – quando o proprietário do cativo coloca condições a serem cumpridas para que se alcance a plena liberdade;
c)                 Alforrias pagas – liberdade conseguida pelo pagamento da importância exigida pelo proprietário.

As três formas de concessão são apresentadas por Moreira (2007) e este estudo apresentará em sua sequência, exemplo das alforrias supracitadas com caráter ilustrativo e como alusão ao motivo pelo qual o proprietário ou proprietária se propôs a conceder a carta de liberdade ou carta de alforria, que se constituía no documento oficial de libertação e normalmente era registrado em cartórios para garantir a condição da concessão de manumissão.

Aos registros de cartório tem-se que reportar a pretensão do governo brasileiro em apagar os vestígios de registro de escravos através do Decreto de 14.12.1890, assinado por Ruy Barbosa, alegando ser por honra da pátria. De igual forma o ato num. 510 de 29.06.1891, do Rio Grande do Sul, determina que todos os livros, papéis e registro sejam destruídos, como se tais procedimentos fossem apagar as memórias do passado (MOREIRA, 2007, p.85). Restam, porém, diversos registros que permitem fundamentar este texto.

A Sra. Joana Belo concedera a Francisca, mulher parda, em 10/05/1771 sua carta de alforria, fazendo o registro desta apenas em 14/10/1775, em Triunfo - RS. Descreveu em sua carta de liberdade que concedia a liberdade pela atenção aos bons serviços prestados, pelo prazo de 30 anos. Quanto a Francisca podemos considerá-la como uma provável mestiça indígena, não necessariamente de origem africana, pois o termo pardo na época era empregado para este tipo de raça e mais contemporaneamente veio a ser empregado para outras mestiçagens. O fato de ela servir 30 anos à sua proprietária implica em entrelaçamento de culturas passando e recebendo influências pelo convívio diário. O poder da Senhora em conceder a manumissão, nos remete a um sistema matriarcal, onde a proprietária do cativo, e lê-se que a mulher brasileira mantinha escravo, sobre seus serviços, e tinha o direito de conceder a liberdade sob sua vontade. (MOREIRA, 2007, pg. 101). Tem-se a consideração de Sérgio Buarque de Holanda que o regime da família era patriarcal, desde tempos remotos (HOLANDA, 1978, pg. 105).

Na leitura do registro supra não nos é possível alcançar a amplitude da liberdade, pois se desconhece as condições de vida do liberto, qual de fato seriam a sua idade e saúde, possuírem condições de moradia afastada da proprietária e as reais condições de ganho para sobrevivência. Uma liberdade sem ônus para a Senhora matriarcal, ou com ônus para o liberto. A possibilidade última é a provável tendo em vista sua condição servil por 30 anos.

A Sra. Antônia Maria da Silva, preta forra, concede em 01.01.1808 a alforria a Joana Firmina, filha de escrava Benguela[4] da mesma senhora, o registro ocorreu em 13.01.1810 na localidade de São Luís de Mostardas. A carta foi concedida com a condição de o escravo servir até a morte da senhora. Por não saber ler nem escrever, a senhora pediu a seu ex-senhor, o Capitão Antônio Gomes de Carvalho, que a fizesse e assinasse a rogo (MOREIRA, 2007, pg. 164).

Na leitura deste registro pode-se verificar a participação da mulher proprietária de escravos, sendo ela própria alforriada e afrodescendente, isto se constata em face da indicação de “preta forra” existente no registro e que remete a essa significação. O fato de ser preta forra não a impediu de ter sobre sua posse escravos pretos, nem a inibiu para remetê-la a esta condição de posse sobre seu semelhante. A alforria é condicional, visto impor ao escravo a obtenção plena liberdade, após a morte de sua senhora. Esta condicional, não era incomum, a de um proprietário liberar o servil após sua morte. Nesta circunstância entendesse que a mulher negra detentora de posse tinha poder de manumissão ao seu alcance.

Isméria Perpetua, mulatinha, cor da mestiçagem entre bancos e negros, filha de escrava, nascida no Brasil, recebeu a carta de liberdade em 24.12.1844 da Sra. Rafaela Pinto Bandeira Freire, registrada em ofício apenas em 24.01.1853, cuja carta continha na descrição, que foi liberta mediante pagamento de 300$ (réis) efetuadas pela crioula[5] forra de nome Helena, ou seja, escrava negra nascida no Brasil que obteve sua alforria. Temos, por conseguinte, uma mulher ex-escrava com posse e direito de promover o pagamento necessário a libertação de outra pessoa, neste caso também mulher, cuja posse recaia em outra mulher, tida como proprietária. Uma trilogia que evidencia a efetiva participação do elemento feminino na construção desta memória de relação servil e alcance da liberdade. Não se apurou nos registros o apontamento do motivo do pagamento e o destino da liberta (MOREIRA, 2007, p.144). Observa-se por oportuno que se trata alforria paga, sendo frequente a estipulação de um valor para concessão de manumissão, pelo Senhor ou Senhora da pessoa servil.

Parece-nos pelo último exemplo supramencionado que a compra do alforriamento só poderia ser executada por outra pessoa que com ganho e cujas economias alcançasse o preço estipulado, mas não, o próprio servo poderia providenciar sua própria liberdade, mediante a disponibilidade de suas reservas pecuniárias, como no caso de: Joana de 39 anos tida como de cor “África”, que recebe sua carta de liberdade em 24.03.1876, da Sra. Zeferina da Silva Pacheco, mediante o pagamento, pela escrava de 500$ (MOREIRA, 2007, pg.357). O que nos leva a cogitar a possibilidade de a mesma poder exercer atividades remuneradas e de ganhos que permitiram efetuar tal poupança, ao mesmo tempo sugere uma relação de harmonia entre a proprietária e a servil, que finaliza na sua liberdade.

Por fim aparecem exemplos de situações como o de Laurinda, mulher parda, com duas filhas de 03 e 08 meses, tem sua alforria concedida em fevereiro de 1858, mediante pagamento, pela escrava, de 500$, mas com a condição de a escrava permanecer em companhia de sua senhora até a morte (MOREIRA, 2007, pg 248). Uma nova forma de alforria que pode ser considerada mista, paga e condicional ao mesmo tempo, podendo haver outras situações semelhantes, porém não pesquisadas por não se tratar de objeto deste estudo. Observa-se pelo registro, que nesta, como em outras épocas, a pessoa servil, teria condições de buscar ganhos suficientes para gerar seu pecúlio, que possibilitaria a obtenção de sua carta de libertação.

Quanto às possibilidades de ganho do escravo temos as colocações de Schwartz(1998):

O escravo que conseguira o direito por seu proprietário em testamento ou outro documento, de pagar pela própria alforria; a este era permitida uma certa liberdade de movimentos ou capacidade de obter e conservar a posse de bens que lhe permitissem acumular a quantia necessária; Em síntese, o coartado era um escravo em processo de transição para a condição social de livre (SCHARTZ, 1998, p214).

Esta é uma das situações de ganhos que se apresenta, e Stuart Schwartz (1998), ainda insere a tipologia de escravo coartado, ou seja, restringido à sua situação ou limitando sua liberdade para que de alguma forma obtenha um pecúlio para sua alforria.

A lei 2040 de 1871 menciona em seu Art. 4º que: “É permitido ao escravo a formação de um pecúlio com o que lhe provier de doações, legados e heranças, e com o que, por consentimento do senhor, obtiver do seu trabalho e economias. O governo providenciará nos regulamentos sobre a colocação e segurança do mesmo pecúlio.” (SEED, 2019). Ainda a referida lei comenta o fato de que tais pecúlios seriam transmitidos por herança para os seus cônjuges e herdeiros. O que se nota ao longo do tempo, bem antes da aplicação da lei, é a existência de uma soma economizada e reservada em dinheiro, como ganho do escravo e por ele armazenada, no discernimento de que só poderia ser obtido um pecúlio se houvesse o consenso permissionário do seu senhor ou senhora, já em época anterior ao estabelecimento da Lei.

Mas não só de pagamentos ou de livre concessão era obtida a alforria. A permuta entre escravo era um fato existente e pode ser constatada através do caso de: Florência: mulatinha: que teve sua carta concedida mediante a entrega de outra escrava pelo pai que diz ser da cativa (MOREIRA, 2007, pg. 165): de Maria; Mina[6]; alforriada pelo Sr Antônio F. Dos Anjos e sua esposa Maria Micaela do Nascimento, em setembro de 1810, na condição da entrega pela escrava, de outra cativa, para substituí-la e pelos bons serviços prestados (MOREIRA, 2007, pg.165); neste registro pode se observar a situação de escravo negociando escravo em prol de sua situação. A situação não é rara aparece também no registro de Rita; criola; que recebe seu alforriamento de Manoel Pinto de Moraes e sua esposa Ana Úrsula Pereira, em maio de 1805, na condição da escrava entregar outra cativa, esta de nome Maria, devido aos seus bons serviços (MOREIRA 2007, pg.165). Situações que nos leva observar a clara dependência do serviço do cativo.

Reportamo-nos ao artigo de Karolina Dias Cunha, exposto nos Anais do encontro anual de GT - GÊNERO/ANPUH sob o título, As mulheres brasileiras no século XIX, em uma tentativa de imaginar a maneira e o modo de vida do mundo feminino espelhado no século XIX e anterior, com o intuído de pensarmos na condição da mulher diante da sociedade daquela época, e de onde se retiram os seguintes recortes:

E para as mulheres das classes mais populares, em particular as negras, indígenas e mulatas havia a preocupação de juristas e políticos, para estes, elas eram portadoras de vícios, da escravidão, tinham tendências a ociosidade, não valorizavam os laços familiares, o casamento e a honra, para muitos juristas da época seria um desafio implantar esses conceitos de valores para esta camada da população [...] Assim, existiam em pleno século XIX mulheres solteiras, sozinhas, separadas ou viúvas, que viviam sós com suas filhas e filhos, que desempenhavam trabalhos doméstico fora do lar ou autônomos como as, lavandeiras, costureiras e doceiras.(CUNHA, 2019, pg. x).

Manifestamos uma consideração sobre este parágrafo, em não poder haver uma homogeneização de pensamentos, pois em muitos exemplos temos escravos em relação matrimonial e familiar com prole. Seria o caso de Ana, mulata, casado com Inácio Pires um pardo forro, alforriada em 30.09.1774 e de Rosa de cor Angola, casada com Antônio preto Angola, este com quatro filhos, sendo ela alforriada em registro de 23.05.1775 (MOREIRA, 2007, pg. 101). Não se pode de todo dizer que se remetia a tendências ociosas, visto que eles carregavam em seu currículo a lida da rotina serviçal mesmo em idade mais tenra, como remete o registro de Rosa, preta e sua filha Germana, crioula, que recebem a alforria, em 1778, pelos bons serviços prestados na condição de permanecerem até a morte da sua Senhora (MOREIRA 2007, pg. 104). Igualmente no século atual a situação se desempenha e se manifesta de forma similar na atual sociedade contemporânea, onde se tem a percepção de que a busca por novos espaços e conquistas são permanentes.

Cunha comenta que:

O cotidiano das mulheres brasileiras no século XIX baseava-se muitas vezes nos afazeres domésticos, eram elas que deveriam exercer as atividades relacionadas ao lar, como cuidar dos membros da família, cozinhar, lavar as roupas e etc. Muitas mulheres deveriam seguir os ideais católicos de família, onde elas tinham obrigações quando jovens, casadas e até mesmo quando viúvas. Uma característica tanto do pensamento católico, que tentava se impor a todo momento, quanto do pensamento positivista, era acentuar a divisão entre o trabalho externo e a vida no lar. Onde cabia ao homem a responsabilidade financeira da família e a mulher competia todas as funções da casa, mediante a procriação e a educação dos filhos (CUNHA, 2019, pg. X).

Ao nos referimos a tais colocações do parágrafo supra, podemos visionar da mesma essência de que na maior parte dos casos a atividades da mulher estavam relacionadas ao lar, afetos pelo pensamento católico, que limitava o alcance as lidas domésticas e doutrinava o casamento secularmente, mesmo entre os escravos com objetivos de cristianização. Mas não se estabilizara nesta inércia, estavam atuando nas decisões de manumissão e se projetando para além da lida da casa.

Cunha (2019) se referência a classe das mulheres e a condição social descrevendo o seguinte:

Em sua maioria as mulheres pertencentes à elite brasileira não desempenhavam nenhuma tarefa doméstica, pois tinham seus empregados ou escravos para executar e muitas gostavam de ficar à toa, já outras detestavam a vida sem ocupação e ficavam descontentes, principalmente porque não tinham nenhum direito à participação política e nem cursar escola de ensino superior. (CUNHA, 2019, pg. x).


Considerando as colocações realizadas por Cunha, resta a compreensão de que em muitos casos haveria a possibilidade da mulher, com posse, ficar ao ócio, mais precisamente na dependência do serviço servil, e tem-se como exemplo a libertação condicionada de Vitória, crioula, 25 anos, alforriada em 1853, pela Sra. Porfiria Maria da Conceição, devido aos bons serviços prestados e na condição de mantê-los até a sua morte. Ou ao contrário, como no caso de mulher mais determinada que liberta sem compromissos conforme percebido pela ação da Sra. Rafaela Pinto Bandeira Freire, que liberta, em 03.1853, Barbara, cabra de 40 anos, sem restrições e condições justificando os seus serviços e amamentação de dois filhos (MOREIRA 2007, pg. 144), não por menos excluindo, desta senhora, sua dependência do serviço servil e de associação a criação de seus filhos, a longo tempo. Os casos não são únicos, mas corriqueiro ao longo do período da escravidão no Rio Grande do Sul.

O artigo 179 da constituição de 1824 garantia a inviolabilidade dos direitos civis da propriedade a qualquer cidadão. O artigo considerou igualmente cidadão brasileiro os nascidos libertos no país e não considera os escravos como cidadão, até então. Pressupõem-se, portanto, que a Senhora do escravo teria condições legais à venda de seu servo. Importante lembrar que neste mesmo artigo da Lei, no item XIX, ficaram abolidos os açoites, a tortura, a marca de ferro quente, e todas as mais penas cruéis.  (Brasil, 2019).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste texto é possível visionar que a senhora proprietária da cativa tinha a possibilidade de promover a manumissão sem restrições ou condicionantes, mas não se firma os reais motivos, se por influências da legislação que se impunha e por vezes onerava o proprietário, pelos ideais da sociedade que ansiava a abolição ou mesmo por outras razões. Segue a forma condicional de manumissão, onde a proprietária propriamente não abre mão dos serviços do servil até a sua morte. Ainda podemos constatar que o pagamento pela liberdade era sem dúvidas o de maior alcance pela Senhora do cativo.

Este estudo, também, revela outras formas de conceder a alforria, além das três instituídas por Medeiros (2007). Aparece em exemplos a alforria mista que traz o pagamento vinculado a uma causa condicional, atribuída no conteúdo da carta de libertação; outra forma de se alcançar a liberdade foi observada pela permuta entre escravos, quando uma escrava era substituída pelos serviços de outra, ficando a primeira em situação de liberdade, não configurando uma condição e sim um escambo de libertação.

O que se apresenta é que a mulher proprietária de escravo tinha de fato o poder de consentir a liberdade do seu cativo, sob diversas formas de manumissão, anteriormente relacionadas, influenciadas pela vivência doméstica, na dependência dos serviços do cativo, ou mesmo na necessidade de reposição de seu pecúlio. Constata-se, por oportuno, que a mulher forro ou mesmo escrava, tinham seus próprios escravos, e mesmo vindo ou estando na condição de escrava, entregavam a liberdade: por vezes na forma condicional; ou na permuta por sua alforria ou de um parente.

É certo que a lida diária e da relação entre a senhora e a escrava influenciava no entrelaçamento cultural, remetendo por vir, em grande parte das cartas de libertação a expressão: “por bons serviços prestados”, o que nos sugere um relacionamento cordial, ou permissionário para que o escravo tivesse uma atividade de ganho. Não se despreza o fato da expressão citada ser uma praxe nas cartas de libertação.

O estudo não é exaustivo e permite que se avolumem trabalhos sobre este tema, no pensamento de que a mulher independente de sua situação ou etnia participou e participará da formação da sociedade brasileira.
REFERÊNCIAS


BRASIL – Constituição de 1824 – Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm>. Acesso em: 10.01.2019.

BRITO, Edilson Pereira. História da África e dos africanos: da divisão colonial aos
dias atuais. Indaial: Uniasselvi, 2012.

CAMARGO, Antonio Eleutherio de. Quadro estatístico e geographica da provincia de S. Pedro do Rio Grande do Sul, organizado em virtude de ordem do Excelentíssimo Sr. Vr. Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello, presidente da província. Porto Alegre, Typ. do Jornal do Commercio, 1868.168p. 

CUNHA, Karolina Dias. As mulheres brasileiras no século xix.

DICIO. Alforria – Disponível em: <https://www.dicio.com.br/alforria/> Acesso em: 07 out. 2019.

HOLANDA, Sergio Buarque de. Raizes do Brasil; 12 ed. Rio de Janeiro: J. Olympo, 1978.

KROB, Bruna Emerim. “Com a condição de servir gratuitamente a mim ou a meus herdeiros”: contratos e experiências de trabalho dos libertos sob cláusulas de prestação de serviços (porto alegre, 1884). Disponível em: <https://www.ufrgs.br/neab/index.php/2016/10/03/com-condicao-de-servir-gratuitamente-mim-ou-meus-herdeiros-alforrias-contratos-e-experiencias-de-trabalho-de-libertos-porto-alegre-1884-1888/> Acesso em: 06 out. 2019.

MAMIGONIAN, Beatriz G. Africanos Livres –A abolição do tráfico de escravo no Brasil. Cia das Letras, 2017.

MOREIRA, Paulo Roberto Staut. Quem com seu trabalho nos sustenta: as cartas de alforria de Porto Alegre (1748-1888) Porto Alegre: Edições Est. 2007.

SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos. Engenhos e Escravos na sociedade colonial. São Paulo: Cia das Letras, 1988.

SEED Lab. Lei do Ventre Livre. Disponível em: <http://www.historia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/fontes%20historicas/leidoventre.pdf> Acesso em: 09.10.2019.



[1]Aluno do Curso de pós-graduação em História e Cultura Afro-Brasileira, na UNIASSELVI -Centro Universitário Leonardo da Vinci. Polo Zona Sul de Porto Alegre – RS, regime semipresencial. E-mail.rogerio_petrini@hotmail.com.
[2]Luz Mary Padilha Dias – Professora-tutora da UNIASSELVI - Centro Universitário Leonardo da Vinci. Polo Zona Sul de Porto Alegre – RS. Curso de pós-graduação em História e Cultura Afro-Brasileira. E-mail: Luzmaryprofessora@gmail.com.
[3] A independência do Brasil do Reino de Portugal ocorreu em 1822 por proclamação de D. Pedro I, quando ficou estabelecida monarquia até 1889, ano da proclamação da Republica em 15 de novembro.
[4]Benguela  - se referia a cor da pessoa, em tom castanho escuro ou a aparência física com cabelo crespos. Pessoas provenientes da província de Benguela na Angola – África.
[5]“[...] no Brasil, a reprodução dos escravos, por meio de casamentos, criou uma segunda geração de cativos, denominados pelos contemporâneos de crioulos.” (BRITO, 2012, pg. 40)
[6]MINA – se refere a cor o cativo, que procedia da região de Benin costa dos do Marfim, considerada como região de minas na África ocidental.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Estudo de público

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO

 DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO

CURSO DE MUSEOLOGIA

 

 

 

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PROJETO DE ESTUDO DE PÚBLICO PARA UM MUSEU EM PORTO ALEGRE COM BASE NOS REGISTROS DO LIVRO DE PRESENÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Porto Alegre

2015/2 

 

 

 

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PROJETO DE ESTUDO DE PÚBLICO PARA UM MUSEU EM PORTO ALEGRE COM BASE NOS REGISTROS DO  IVRO DE PRESENÇA

 

 

 

 

 

 

 

Projeto apresentado como requisito parcial para aprovação na Disciplina Estudo de Público em Museus (BIB03123), ministrada pelo Prof. Eráclito Pereira. Curso de Museologia, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

                                                                   

 

 

 

 

 

 

 

 

Porto Alegre

  2015/2

LISTA DE TABELAS

 

 

 


Tabela 1 Previsão dos recursos humanos. 13

Tabela 2 Previsão dos recursos materiais. 14

Tabela 3 Previsão dos recursos financeiros. 14

Tabela 4 Cronograma de atividades. 15

Tabela 5 Número de visitantes por cidade. 19

                             

 

 

      LISTA DE GRÁFICOS

 

Gráfico: 1 UF e quantidade de visitante. 17

Gráfico: 2 Gênero do visitante. 18

Gráfico: 3 Visitante por Município. 19

 

 

     LISTA DE QUADROS

 

 

Quadro: 1 Países de procedência dos visitantes. 17


SUMÁRIO

 

1 INTRODUÇÃO.. 6

1.1 O que se pergunta para estudo deste público. 6

1.2 Hipótese para execução do estudo de público. 7

1.3 Justificativa. 7

1.4 Contexto de estudo. 7

2 OBJETIVOS. 9

2.1 Objetivo geral 9

2.2 Objetivos específicos. 9

3 REFERENCIAL TEÓRICO.. 10

3.2 Estado da arte. 10

3.3 Museu ou Pinacoteca. 10

3.4 Visitantes de Museus. 11

3.5 Estudo de usuários e necessidades de informação. 12

4  METODOLOGIA.. 13

4.1  Tipo de estudo. 13

4.2 Sujeito de estudo. 13

4.3  Instrumento de coleta de dados. 13

4.4  Procedimento de coleta de dados. 14

4.5  Plano de análise dos dados. 14

4.6  Limitações do estudo. 14

5 PREVISÃO DE RECURSOS. 15

5.1 Recursos humanos. 15

5.2 Recursos materiais. 15

5.3 Recursos financeiros. 16

6 CRONOGRAMA.. 17

7 ANÁLISE DA PARCELA DO PÚBLICO ESCOLHIDO.. 18

8 COMENTÁRIOS FINAIS. 23

REFERÊNCIAS. 24

APÊNDICE A: MODELO DE TABELA PARA ANÁLISE DOS DADOS.. 25

APÊNDICE B: MODELO DE GRÁFICO PARA ANÁLISE DOS DADOS.. 26

 

 

 


1 INTRODUÇÃO

 

O conhecimento do público de um Museu, trabalhar na melhoria e qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos visitantes deve estar alicerçado no estudo sobre o público presente e não presente, visando a essencialidade e meios de satisfazer os visitantes. Embora a crescente preocupação com os resultados da atuação dos Museus sobre seu público visitante, ainda se tem a percepção de que os estudos são escassos a esse respeito.

 É notório que cada instituição museológica tem suas características próprias, e por vezes funciona com recursos diminuídos, tanto financeiros como de pessoal, mas privilegia seus visitantes com seu acervo e sua intenção de interagir com este público promovendo de alguma forma uma transformação e acréscimo ao seu conhecimento.

Eidelman e Roustan (2014) em seu artigo sobre os estudos sobre o público partem de uma série de colocações entre as quais sobre as diferentes ações que determinam a política para o público de um museu, sobre as lógicas de difusão da cultura e pluralidade de seus usos ocorrência de fatores econômicos e sociais, visionado como uma ferramenta e estratégia cultural.

A seção II da Lei 11.904 de janeiro de 2009, em seu art. 28 parágrafo segundo diz: “Os museus deverão promover estudos de público, diagnóstico de participação e avaliações periódicas objetivando a progressiva melhoria da qualidade de seu funcionamento e o atendimento às necessidades dos visitantes.” Porém o que se observa é a ausência desse atendimento ao requisito da Lei, isto possivelmente, pela falta de recursos na ordem do Museu.

No Museu utilizado como exemplo para este projeto, se observa a inexistência de um estudo de público de forma continuada, razão pela qual se percebe a necessidade da realização deste projeto e como parte do assunto se torna imprescindível analisar o fluxo dos visitantes que por ali circulam.

Este trabalho visa auxiliar à instituição a entender a origem dos visitantes que circulam em seu espaço de exposição.

A análise permitirá compreender melhor as necessidades do visitante e proporcionar melhorias necessárias a satisfação destes observadores. Orientar a equipe de trabalho no sentido de promover melhores expectativas para este público.

 

1.1 O que se pergunta para o estudo deste público

         Qual é a principal procedência do público que visita o Museu?

 

1.2 Hipótese para execução do estudo de público

O público visitante do Museu tem origem em outras praças.

A maioria do visitante desta instituição é constituída do gênero feminino.

 

1.3 Justificativa

O crescente interesse pelos Museus em conhecer seu público e o que fazer para cativá-lo seria uma justificativa plausível, porém a legislação federal já abraça a preocupação pela necessidade de um estudo efetivo do público que se utiliza deste espaço cultural.

O presente estudo se alicerça na necessidade de contribuir com esta pequena parcela de uma visão sobre um espaço específico e sobre um público visitante que talvez passe despercebido dentro do cotidiano da cidade e do espaço do museu. Há uma crescente utilização do espaço cultural proporcionado pelo Museu e saber de onde vem este público poderá proporcionar novas visões estratégicas da equipe do Museu.

 

1.4 Contexto de estudo

O estudo está focado em um Museu, localizado no centro de Porto Alegre, sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, tendo a supervisão administrativa da Secretaria Municipal de Cultural. O acervo é tombado e se constitui de importantes obras de artes regionais e nacionais. O prédio onde está localizado é igualmente tombado e é um ponto turístico da cidade

 O Museu ora utilizado para estudo será identificado como Museu “A”, pois trata-se de um projeto para fins de estudo de uma disciplina acadêmica.

 

1.4.1 Missão e Visão do Museu “A”

Não foi identificada a missão e a visão estabelecida para este espaço cultural.

 

1.4.2 Estrutura Organizacional

A estrutura organizacional do Museu “A” é composta por:

a) técnicos culturais;

b) assistentes administrativos;

c) estagiário

 

1.4.3 Recursos Institucionais

O Museu “A” ocupa um amplo espaço físico e conta com um lugar adequado para a guarda das obras de arte.

Tem a sua disposição sete salas de exposições em espaço com característica do prédio eclético, histórico, construído no inicio dos anos de 1900, para a ocupação da intendência local, o que o torna um atrativo por si só. Há espaço para exposição temporária e conta com um rico acervo de obras de artes: pinturas desenhos e esculturas.

 

 


2 OBJETIVOS

Apresentam-se o objetivo geral e os específicos que fundamentam a proposta deste trabalho de pesquisa.

 

2.1 Objetivo geral

Conhecer a procedência do visitante que frequenta o Museu “A”, sobre o público que deixa seu registro no livro de presença.

 

2.2 Objetivos específicos

Os objetivos específicos são delineados de maneira que o seu cumprimento consolide a construção dos objetivos gerais e está distribuído nos tópicos abaixo de maneira que interagem com a pesquisa a ser aplicada.

 

a) verificar a origem do público visitante do Museu;

d) apurar a frequência do público por localidade;


3 REFERENCIAL TEÓRICO

Para a realização deste estudo de público em Museu será necessário um referencial teórico que permita a contextualização, com o intuito de atingir o objetivo geral e os específicos inicialmente propostos.

 

3.1 O Museu “A”

 Instituição sem fins lucrativos[1], sob a gestão da prefeitura Municipal, está localizada em privilegiado ponto de circulação na capital gaúcha. Em seu entorno há uma ampla rede de transporte público que facilita seu acesso e nas suas proximidades tem amplo comércio de todas as tipologias que atraem diariamente um número considerável de população. O prédio em que se encontra é tombado e marco histórico da cidade. O interior do prédio que apresenta uma arquitetura eclética com características positivista é um atrativo a visitação.

 

3.2 Estado da arte

Em pesquisa realizada no Google acadêmico (2015), verificou-se 80 artigos reportando-se a instituição utilizada para o estudo, nenhum apresentou um estudo de público relativo àquele ambiente.

 

3.3 Museu ou Pinacoteca

               Extrai-se um trecho da dissertação de Rocha (2014) que nos remete a identificação de um conceito de pinacoteca:

  [...] que comporia um imaginário de galeria das grandes obras nacionais. [ ...] Estamos diante do surgimento de um museu que nasce de ações museológicas para reconfigurar um espaço que ao olhar contemporâneo já era museológico, pois a Pinacoteca apresentava dinâmica características de um museu tradicional e constituía-se em espaço de guarda , aquisição, conservação e exposição ( p.22) (grifo nosso).

 

              A autora evidencia a comparação de uma galeria e coloca as funções de um museu tradicional, o que se articula com a colocação de uma definição apresentada no site Conceito[2] (2015) em que diz que a pinacoteca é uma galeria ou museu de pintura derivando de um vocabulário latino com raízes na língua grega. Ainda refere-se que é um espaço destinado a exposição de obras artísticas com predominância de características do pictório. Que outras tipologias de museus podem contar com um espaço para exposição de sua própria pinacoteca, não necessariamente sendo seu principal objetivo.

O que nos remete que a pinacoteca, é uma tipologia de museus que tem a preferência pelas coleções de pinturas, porém são presenciadas em núcleos de museus que seguem outras propostas de formação de coleções e exposição.

 

3.4 Visitantes de Museus

 

Os produtos e serviços oferecidos pelas instituições culturais, assim como toda a organização e disponibilização da informação nos variados suportes estão direcionados a satisfazer demandas informacionais das pessoas, ou seja, dos usuários, clientes ou visitantes.

Alguns autores, entre eles Sanz Casado (1994, p. 19) definem, “o usuário da informação como aquele indivíduo que necessita da informação para o desenvolvimento de suas atividades.” Analisando esse conceito, entendemos que todos nós como indivíduos pertencentes a uma sociedade, necessitamos das fontes informacionais para atender nossas demandas, e progredir visando melhorar e desenvolver novos conhecimentos.

Outro aspecto a ser destacado está relacionado com os avanços tecnológicos e com os recursos da Internet e web. Na atualidade as bibliotecas contam com dois tipos de usuários: o presencial, que utiliza o espaço ou ambiente físico da unidade de informação para suas leituras e pesquisas e, o não presencial, que segundo Hervaz, Gómez e Mondéjar (2002), utiliza os serviços como consulta ao catálogo e bases de dados valendo-se da Internet e sem frequentar a biblioteca.  O mesmo pode ser comparado ao visitante dos museus, que hoje tem a sua disposição o ambiente da internet, para consultar o site da instituição e principiar seu conhecimento e interesse em uma visitação presencial ou simplesmente, navegar pelas páginas e fazer uma visita virtual, obtendo algumas informações do acervo e do museu.

 

3.5 Estudo de usuários e necessidades de informação

 

A partir da definição de usuário, faz-se oportuno apresentar o significado do estudo de usuários e as suas necessidades de informação.

O estudo de usuários da informação constitui um conjunto de investigações cujos resultados permitem planificar e melhorar os sistemas de informação. Em geral, a observação sistemática do usuário oferece uma ferramenta de grande valor para tomar decisões, tanto do ponto de vista da gestão das unidades de informação, como da perspectiva do bibliotecário ou documentalista que dia a dia atende seus pedidos. (TERUEL, 2005, p. 23, tradução nossa).

 

Dessa maneira, o estudo de usuários de uma unidade de informação se constitui em parâmetro que permite conhecer a qualidade dos serviços e produtos oferecidos. Esses resultados servirão de análise e permitirão tomar decisões e fazer as adaptações necessárias para a satisfação plena do público.

Com relação à importância do estudo de usuários em um sistema de informação, Pinheiro (1982, p. 1) comenta que:

Os estudos de usuários da informação são importantes para o conhecimento do fluxo de informação científica e técnica, de sua demanda, da satisfação do usuário, dos resultados ou efeitos da informação sobre o conhecimento, do uso, aperfeiçoamento, relações e distribuição de recursos de sistemas de informação e tantos outros aspectos direta ou indiretamente relacionados à informação.

 

A realização de um estudo de usuários ou público é um meio de conectar a unidade de informação com a comunidade. Ele auxilia a na gestão e na tomada de decisões, na previsão de demandas ou na mudança de rumos e estratégias. Permite a disponibilização certa dos recursos focada nos usuários e busca a melhoria na qualidade dos produtos que as pessoas necessitam para satisfazer as demandas informacionais ou de lazer.

 


4  METODOLOGIA

 

A continuação será apresentada a metodologia empregada nesta atividade de estudo, visando atender o objetivo geral e os específicos. Descreve-se o sujeito e tipo de estudo, os instrumentos de coleta de dados, os procedimentos e tratamento da coleta e por fim, as limitações do trabalho.

 

4.1  Tipo de estudo

O tipo de estudo quanto à forma de abordagem se caracteriza como uma pesquisa quali-quantitativa, pois será utilizado o registro de livro presença, na busca de se qualificar e quantificar as informações. Poderá ser interpretada, igualmente, como uma pesquisa documental, por se utilizar de registros produzidos pela instituição. Também será utilizada a observação, sobre os campos existentes no registro de presença, buscando identificar o gênero do visitante. Com relação à natureza da pesquisa, a mesma se enquadra dentro das aplicadas, já que objetiva gerar novos conhecimentos para aplicá-los à solução de um problema específico. Quanto ao objetivo, é uma pesquisa descritiva, pois, busca-se descrever a situação apresentada. De acordo com o procedimento, o estudo é um levantamento, pois envolve a composição de uma população de visitantes do Museu “A”, cuja procedência se deseja conhecer.

 

4.2 Sujeito de estudo

Os visitantes do Museu “A”, que assinaram o livro de presença e que preencheram os campos que possibilitam esta pesquisa. O período pretendido pela pesquisa é de janeiro de 2015 a agosto de 2015. A amostragem é integral pelo número de pessoas que assinaram o livro formando a população da amostra. Será considerado o público masculino feminino, como um conjunto único e sob a forma distinta quando existir a possibilidade de separação pelo nome.

 

4.3  Instrumento de coleta de dados

Segundo Pádua (2000) a etapa de coleta de dados é o ponto de partida dentro da fase do desenvolvimento da pesquisa. O objetivo é reunir os dados pertinentes relacionados ao objeto a ser investigado.

O instrumento de coleta de dados será o livro de presença existente no Museu “A”, que contem informações a respeito dos campos nome, localidade e data.

 

4.4  Procedimento de coleta de dados

Os dados serão obtidos através do livro presença e serão digitalizados por fotografia, abrangendo o período e recorte estipulado pelo sujeito de estudo.

 

4.5  Plano de análise dos dados

Os resultados serão transformados em dados estatísticos representados por gráficos e tabelas (modelos Apêndice A e B).

Os dados coletados pelo livro presença serão transcrito para um banco de dados (uso da base access) utilizando alguns mecanismos de comparação desta base de dados para observar os nomes presente no livro. A classificação na ordem alfabética é um dos mecanismo a serem observados, a quantificação pela indicação geográfica é outra maneira de verificação de dados.

 

4.6  Limitações do estudo

 

Entre as limitações que podem se apresentar durante a realização do trabalho aparecem as seguintes:

a) Impossibilidade de obtenção dos dados pela grafia ilegível;

b) Preenchimento das informações de forma incompleta;

c) Riscos e impertinência ao pesquisado, existente no livro de presença.

d) O tempo limitado a ser utilizado para a realização da pesquisa.

 


5 PREVISÃO DE RECURSOS

 

Leme (2011) afirma que: “prever é essencial desde que desejemos cuidar sobre qualquer ação”. Neste estudo o pesquisador terá o máximo interesse em obter bons resultados e para isso fará as previsões necessárias para o desenvolvimento do trabalho.      

 

5.1 Recursos humanos

 

Na visão de Torres (2011), os recursos humanos são constituídos por: “Agentes ativos e proativos dotados de inteligência e criatividade, iniciativa e decisão, habilidades e competências e não apenas de capacidades manuais, físicas ou artesanais.” 

No presente trabalho haverá apenas a pessoa do pesquisador que se deterá  na busca pela obtenção dos dados, na realização de levantamentos, tabelas e na preparação e revisão do relatório final.

 

Tabela 1 Previsão dos recursos humanos

Recursos humanos

Atividades

 

 

Rogerio Petrini

 Todas as atividades

Fonte: Autor

 

 

5.2 Recursos materiais

A enciclopédia de Gestão Knoow.net (2011) destaca que: “Os recursos materiais de uma organização incluem os equipamentos e utensílios utilizados pela organização, as instalações fabris e administrativas, as tecnologias e processos utilizadas na produção e na gestão.” Os recursos materiais utilizados e, necessários para a obtenção do trabalho final serão agrupados a continuação:

a) lápis, canetas e papel para anotações;

b) papel tipo A4, para relatório final;

c) computadores e impressora, pessoais;

d) transporte próprio e público:

e) máquina fotográfica.

 

Tabela 2 Previsão dos recursos materiais

Recursos materiais

Quantidade

Lápis

1

Papel rascunho

3 fl.

Papel A4

30 fl.

Caneta

1

Veiculo Particular

5 l de gas

Ônibus

4 p

Internet

2 semanas

 

 

Fonte: Autor

 

 

5.3 Recursos financeiros

Os recursos financeiros de uma organização representam os meios monetários detidos por essa mesma organização (ou a capacidade de obtê-los) e que podem ser utilizados no financiamento da atividade corrente ou na realização de novos investimentos.” (KNOOW.NET, 2011).

A previsão dos recursos financeiros está relacionada com a previsão dos recursos materiais e está apresentada conforme a tabela a continuação:

 

Tabela 3 Previsão dos recursos financeiros

Tipo

Unidade

Valor

Custo

Caneta

1

1,5

1,5

Lápis

1

1,0

1,0

Papel rascunho

3 fl.

0,04

0,12

Papel A4

30 fl.

0,04

1,20

Tinta

1 cartucho

29,90

3,00

Transporte

4 passagens

4,00

16

Internet

2 semanas

60,00

30,00

Veiculo próprio

5 l

3,30

16,50

Fonte: Autoria nossa

 


6 CRONOGRAMA  

 O seguinte cronograma servirá como instrumento de identificação das atividades e o tempo que demandará a realização de cada uma delas. As atividades serão desenvolvidas ao longo de nove semanas e são representadas no cronograma pela letra “S”.

 

Tabela 4 Cronograma de atividades

Atividade/Semana

S1

S2

S3

S4

S5

S6

S7

S8

S9

Escolha da Instituição

x

 

 

 

 

 

 

 

 

Pesquisa sobre a instituição

x

x

 

 

 

 

 

 

 

Visita ao Museu “A”

 

x

 

 

 

 

 

 

 

Apontamentos da visita

 

x

x

 

 

 

 

 

 

Revisão da literatura

 

 

x

x

x

X

x

x

 

Coleta de dados

 

 

 

x

x

 

 

 

 

Planilha dos dados

 

 

 

 

 

X

 

 

 

Discussão dos dados

 

 

 

 

 

X

x

 

 

Elaboração do relatório

 

 

x

x

x

X

x

x

 

Entrega do relatório

 

 

 

 

 

 

 

 

x

Apresentação do relatório

 

 

 

 

 

 

 

 

x

  Fonte: Autor

 

 


7 ANÁLISE DA PARCELA DO PÚBLICO ESCOLHIDO

Neste tópico aborda-se os resultados da pesquisa proposto por este trabalho sobre  estudo de público, esclarecendo que é um estudo acadêmico, que não exaure as possibilidades de outros estudos. Trata-se de um estudo de público que foca em um recorte temporal, limitado aos oito primeiro meses do ano de 2015 e sobre um público que deixou sua marca no livro de presença.

O público que assina o livro é um público de visitante importante pois, faz questão de anotar sua presença e sua participação na exposição.

 O livro presença utilizado foi o livro de presença localizado na sala de exposição do mesmo andar da portaria. Estava localizado logo na entrada, podendo ser visto na saída do único acesso, portanto de fácil percepção ao visitante.

Se tem uma noção clara de que o livro de presença não é assinado por todos os visitantes, e se supoem que este livro passa desapercebido por alguns, face ao desconhecimento de sua importância, ou mesmo da sua existência, ou mesmo por se sentirem com algum constrangimento, quanto ao devo ou não assinar o livro, e, ou o por quê devo assinar o livro. Entretanto os que ali deixam sua presença, são visitantes conscientes se não por experiências em outras instituições e outras situações onde deixaram seu registro, o fazem para constar o “eu estive aqui”. De qualquer forma os visitantes continuam se presenciando nestes livros, que os museus e as instituições culturais colocam a disposição do público. Documento que em algum momento será contemplado em estudos, com o agora acontece.

Do livro de presença foram apurados 999 visitantes, que passam a ser analisados de forma qualitativa e quantitativa através de gráficos e tabelas adiante expostos.

 Inicialmente se intencionou em conhecer o público que retornou ao espaço e se era frequente tal hábito. Procurou-se pela coincidência de nomes para se contatar:  quem, quantos e quantas vezes, um determinado visitante retornou ao espaço cultural. Levantou-se que 11 pessoas retornaram para ver ou rever as exposições da sala um, analisada. Apenas duas pessoa visitou a mesma exposição por duas vezes. Outras duas visitou as três exposições que fazem parte deste período de estudo. Sete pessoas visitaram exposições alternadas. Dez visitantes de Porto Alegre e um do interior do Estado gaúcho. Este público, neste recorte, representa 1% da população apurada.

Há de se considerar que 79 nomes não puderam ser identificados claramente, o que representa 7,9% do público, que não foi considerado, em questão de gênero e ou com possibilidades de identificar seu retorno ao espaço cultural.

 

 

O gráfico adiante demonstra a participação de visitante  por unidade federativa,  ilustração que ressalta a participação massiva do Rio Grande do Sul, mas que coloca em visibilidade a participação de grande maioria das unidades federativas.

Gráfico: 1 UF e quantidade de visitante

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Fonte: Auto, 2015

 

 

Quadro: 1 Países de procedência dos visitantes

 Identificado no gráfico acima a sigla “PP”, para outros países totalizando 23 nações, abrangendo todos os continentes.visitantes

UF

país

   

pp

alemanha

pp

argentina

pp

austria

pp

chile

pp

colombia

pp

coreia

pp

dinamarca

pp

espanha

pp

eua

pp

frança

pp

irlanda

pp

Itália

pp

Japão

pp

México

pp

Nicarágua

pp

Philipinas

pp

Portugal

pp

Suíça

pp

Uruguai

pp

Usa

pp

Zâmbia

Fonte: Autor, 2015

 A presença feminina supera levemente a presença masculina destacando-se uma superioridade pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. São 51,7% de presença feminina por 48,3% de presença masculina, constatado no livro de presença pelos critérios adotados, de classificação de gênero pelo entendimento do nome.

 

Gráfico: 2 Gênero do visitante

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Fonte: 1 Autor, 2015

 

O gráfico subsequente registra a forte presença do presença do público porto-alegrense, e a participação do municípios do interior que totalizam 49 unidades. Representadas no gráfico apenas os que tiverem mais de três pessoas na visitação do espaço cultural utilizado como estudo. 

 

Gráfico: 3 Visitante por Município

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Fonte: Autor, 2015

 

A tabela seguinte lista apenas municipios com mais de quato registros de visitantes por localidade.

Tabela 5 Número de visitantes por cidade

visitantes

ContarDeexposição

cidade

UF

4

alvorada

rs

4

bento gonçalves

rs

15

canoas

rs

4

gravatai

rs

18

novo hamburgo

rs

4

pelotas

rs

451

Porto Alegre

rs

7

santa maria

rs

17

são leopoldo

rs

7

viamão

RS

     

Fonte: Autor, 2015

Em relação as observações realizadas nos registros do livro presença se constatou algumas anotações:

 - três escolas assinaram o livro presença registrando a quantidade de alunos, duas com 23 alunos e outra com 84 pessoas, sendo que desta última se contatou pela localidade e pela marcação a assinatura de 34 alunos diante dos 84 indicados (oitenta alunos e quatro professores).

- foram contatado apenas quatro  anotações pejorativas, quanto ao registro de nomes, e outras duas elogiando a exposição.

- 92 pessoas não indicaram sua cidade ou Estado, apenas se fizeram presente pelo nome colocado no livro de presença

- Foram registradas no livro três exposições, realizadas uma a cada três meses.

 


8 COMENTÁRIOS FINAIS

O livro de presença utilizado como objeto deste estudo teve significativa importância para principiar os estudos deste público diferenciado, que deixa registrada a sua presença no espaço que visita.  Demonstra por seu conteúdo, que neste espaço, o mito de grande público que rabisca os livros de presença, com pejorativos, esta ficando enfraquecido. Uma significância que os serviços oferecidos são bem aceitos. A hipótese levantada sobre a maioria ser constituída de público feminino se confirma, a presença e participação feminina na apropriação deste espaço cultural são perceptíveis especialmente no âmbito da capital cujos visitantes se apresentam em maior número, porém não se distanciando em muito do público masculino. O fato pode estar relacionado a presença maior de grupo feminino em ambiente escolar, nos meios produtivos e na participação da sociedade, como um todo.  Os registros de uma parcela de visitantes estrangeiros e de outras unidades federativas remetem a considerar a projeção da pinacoteca fora os limites do Estado. No que se refere ao público ter origem em outras praças, verifica-se que 55% dos visitantes registrados no livro procedem de outros municípios do Rio grande do Sul, de outros Estados Brasileiros e outros países, mas apresenta a significativa parcela de 45 % de visitantes locais.

 O Estudo ora realizado não é exaustivo apenas principia um olhar sob o quanto as informações ali registradas, no livro de presença, podem oferecer subsídios para um estudo do visitante de uma unidade.

 Conhecer a procedência geográfica, o gênero deste público, abre conhecimento que permite buscar contribuições que poderão ampliar as satisfações das necessidades destes visitantes.


REFERÊNCIAS

 

EIDELMAN, Jacqueline ; ROUSTAN, Mélanie.  Estudo sobre público: pesquisa fundamental, escolha de políticas e apostas operacionais. In: O lugar do público: sobre o uso de estudos e pesquisas pelos museus. Eidelman, Jaqueline; Roustan, Mélanie; Goldstein, Bernardete. São Paulo: Iluminuras – Itu cultural. 2014. P. 13-40

KNOOW.NET. Recursos financeiros. Disponível em: <http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/recursos_financeiros.htm>. Acesso em: 12 set. 2011.

 

­______. Recursos materiais. Disponível em: <http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/recursos_materiais.htm>. Acesso em: 12 set. 2011.

 

LEME, Ruy Aguiar da Silva. Porque Prever? Disponível em: <www.rausp.usp.br?dowalOAD.ASP?FILE=1803096.pdf>. Acesso em: 12 set. 2011.

 

PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da pesquisa: abordagem

teórico-prática. 6. ed. rev. ampl. Campinas: Papirus, 2000. 120 p.

 

PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro. Usuário – Informação: o contexto da ciência e da tecnologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1982. 66 p.

 

ROCHA, Claudia Maria. Da pinacoteca ao Museu, historicidade processos museológicos. (2014). Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&ved=0CDUQFjAEahUKEwiG3rS6lKDIAhUEjJAKHQchD3g&url=http%3A%2F%2Fwww.teses.usp.br%2Fteses%2Fdisponiveis%2F103%2F103131%2Ftde-13022015-104640%2Fpublico%2FClaudiaRochaREVISADA.pdf&usg=AFQjCNEcDHlIVedjKhRaofZNpNhmh-24Dw&sig2=ofkwOjI6B72EmAhyRaz47g> Acesso em: 30 set. 2015.

 

SANZ CASADO, Elias. Manual de estudios de usuários. Madrid: Fundación Germán Sanchez Ruiperez, 1994. 279 p.

 

SILVA, C. C. M.; CONCEIÇÃO, M. R.; BRAGA, R. C. Serviço de coleções especiais da biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina: estágio curricular. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, v. 9, p. 134-140, 2004. Disponível em: <http://acbsc.org.br/revista/ojs/viewarticle.php.?id=102>. Acesso em: 16 out. 2011.

 

STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982.

 

TERUEL, Aurora González. Los estudios de necesidades y usos de la información: fundamentos e perspectivas actuales. Gijón: Ediciones Trea, 2005. 181 p.

 

TORRES, Henderson Carvalho. Administração de recursos humanos. Disponível em: <http://www.portaladm.adm.br/ARH/arh1.htm>. Acesso em: 12 set. 2011.

 

             

 


 

APÊNDICE A: MODELO DE TABELA PARA ANÁLISE DOS DADOS

 

 

 

 

Soma de ContarDesexo (d,m,f)

Rótulos de Coluna

Rótulos de Linha

f

m

Total geral

am

4

2

6

ap

 

1

1

ba

2

2

4

ce

2

1

3

df

13

14

27

es

2

2

4

go

2

2

4

ma

1

1

2

mg

13

9

22

ms

1

1

2

pa

6

4

10

pb

2

 

2

pe

2

2

4

pp

16

22

38

pr

16

16

32

ra

2

 

2

rj

21

16

37

rn

2

2

4

ro

3

 

3

rs

266

263

529

sc

12

7

19

se

4

 

4

sp

33

29

62

to

 

1

1

Total geral

425

397

822

 

51,7

48,3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APÊNDICE B: MODELO DE GRÁFICO PARA ANÁLISE DOS DADOS

 

 

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[1] Lei 11904/2009.    Art. 1o Consideram-se museus, para os efeitos desta Lei, as instituições sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento.

[2] CONCEITO. Pinacoteca. Disponível em:< http://conceito.de/pinacoteca#ixzz3nEbCjhHr> ou < Conceito de pinacoteca - O que é, Definição e Significado>. Acesso em; 30 set. 2015.