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sexta-feira, 3 de julho de 2015

SULEANDO MUSEUS E MUSEOLOGIA EM DIREÇÃO À AMERICA LATINA: O ICOFOM LAM E A INTERCULTURALIDADE LATINOAMERICANA

RESENHA

SULEANDO MUSEUS E MUSEOLOGIA EM DIREÇÃO À AMERICA
LATINA: O ICOFOM LAM E A INTERCULTURALIDADE LATINOAMERICANA

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]

 

Luciana Menezes de Carvalho: Doutoranda e mestre em Museologia e Patrimônio pelo PPG-PMUS UNIRIO/MAST. Possui graduação em Museologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO (2006). É diretora e museóloga do Museu da Memória e Patrimônio da Universidade Federal de Alfenas. Secretária Acadêmica e Membro do Board do Subcomitê Regional do ICOFOM para América Latina e Caribe - ICOFOM LAM. Atuou, no Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST.

 

Teresa Cristina Moletta Scheiner : Bacharel em Museologia pelo Museu Histórico Nacional (1970), com Habilitação para Museus de Ciências; Licenciada e Bacharel em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (1977/78); MESTRE (1998) e DOUTORA (2004) em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - ECO/UFRJ. Professor Associado 2, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Coordenadora, Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio - PPG-PMUS, UNIRIO/MAST. Vice-Presidente, Conselho Internacional de Museus - ICOM (2010/2013, reeleita para 2013/2016). Editora Chefe, Museum International.

 

 

Palavras-chave: Museologia. Suleação. América latina.

 

As autoras introduzem o texto discutindo a dicotomina relacionada a países ser desenvolvidos ou em desenvolvimento, parâmetro instituído para a modernidade, que separam países e grupos sociais, que é um modo diferente de ver um país, parâmetros que interfere nas diferenças culturais. Coloca a América Latina no plano da discussão, com suas diversidades étnicas, religiosas, hibridismo cultural, introduzindo o termo suleando – para se posicionar ao sul geográfico. Refle a necessidade dos Museus pensarem esta diversidade, multiplicidade e interculturalidade latino-americana, dizendo que a Museologia, como campo de conhecimento do Museu, deve atuar na construção desta interculturalidade. Propõe o ato de sulear a América Latina, para reafirmar a existências dos seus referenciais, na multiplicidade étnica, de identidades de nacionalidades reconhecendo as diferenças. As autoras refletem sobre a realidade latino-americana, citando-se e colocando que os museus não representam em amplitude o sentimento latino, refletem a sociedade que os idealizaram, tendo o olhar da elite. Sobre a interculturalidade observam os dizeres de Garcia Cancline (p.128), que esta: implica que os diferentes são o que são, em relações de negociação, conflito e empréstimos recíprocos.”. As autoras colocam que na ideologia do ICOM, UNESCO, ICOFOM_LAM, no contexto histórico dos museus da América Latina, deveriam estar comprometidos com soluções que integrem a sociedade, se projetando como educador da comunidade, como formador da consciência desta sociedade latina. Se modificando para atender as necessidades de seu grupo social, incentivando a preservar o seu patrimônio. As autoras comentam que as funções do ICOFON-LM permitiram o desenvolvimento de trabalhos de uma linha de pensamento própria dos profissionais latino-americanos, que introduziram questões relacionadas ao fenômeno Museu deste sul geográfico, propiciando que tais profissionais possam ler a produção de seus conterrâneos, possibilitando debates neste campo. Trazem comentários sobre os eventos ocorridos na ótica da América Latina, fixando temas como: museologia como campo disciplinar específico, museologia contemplada como campo de regeneração da sociedade; a questão do tangível e intangível dentro do campo; o modo integral do Museu; as classes sociais; museus nos modelos para atender a comunidade local; e a questão do autoconhecimento dos museus. Isto para declararem a necessidade de [...] sulear a Museologia em direção à América Latina [...](p. 133), nas busca do pensamento e das práticas latino-americanas sobre Museu, Museologia e Patrimônio.

As autoras abordam a importância de se refletir sobre a América Latina e sua
diversidade cultural, a partir de um movimento de suleação na forma de pensar museus e
Museologia.
(p.124). Corroboramos com as autoras na reflexão de que a Museologia como um todo deve ser pensada em termos regionais, face a diversidade cultural existente na América Latina. Os modelos Europeus podem contribuir com suas experiências, mas não como padronização única. A realidade Latino-americana é repleta de multiplicidade e merece a consideração da interculturalidade colocada pelas autoras.

 

REFERÊNCIA

CARVALHO, Luciana Menezes de; SCHEINER, Tereza Cristina. Suleando museus e Museologia em direção à América Latina: o ICOFOM LAM e a interculturalidade latino-americana. In: ICOFOM LAM 2012: Termos e conceitos da Museologia: Museus inclusivos, interculturalidade e patrimônio integral. Rio de Janeiro. Dez/ 2012. p.124-135.



[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, jun. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com.

Quando o Museu abre as portas: o reencontro com o humano no Museu contemporâneo - Introdução: Árvores, florestas e jardins - resenha

RESENHA

Quando o Museu abre as portas: o reencontro com o humano no Museu contemporâneo - Introdução: Árvores, florestas e jardins

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]

 

Bruno Cesár Brulon Soares: Bacharel em Museologia (2006), licenciado e Bacharel em História (2011) pela UNIRIO, Mestre em Museologia e Patrimônio – UNIRIO – (2008), Dr. Pelo programa de Pós – Graduação em Antropologia - UFF (2012), Prof. Curso de Museologia da UNIRIO. Vice Presidente do ICOFOM (2013), membro do corpo editorial das revistas Musear, Jovem Museologia e Museology and Cultural Heritage.

 

Palavras-chave: Museus. Museologia. Conceitos.

O autor em sua dissertação de mestrado, na parte introdutória inicia narrando sua experiência museológica o corrida no Palácio de Versailhes, França, quando projeta o passado tentando reconstruir o fluxo de pessoas no lugar, os fatos e o ambiente tal como era. Na companhia do pai, lhe indaga a condição de que havia sido roubado os pertences do rei, numa alusão dos objetos não se encontrarem na mesma situação, vista em visita anterior. Reflete que o Museu se move de acordo com as pessoas que o constroem e que o visitam. Seus pensamentos se lançam pela janela, sobre os jardins, observando os detalhes, na busca de reconstruir um passado pelas plantas que imitam o passado, numa continua renovação. Busca ver além dos jardins, no entorno, como se comportava os habitantes,e neste contexto de jardins e museus reflete a “possibilidade de se perceber a preservação de memória, processo inacabado, sem qualquer encenação ou inverdade.” (p.2). Árvores, novas ou velhas, descendentes [...]. Pauta a ideia de Hugues de Varine tema sobre a morte e vida fundamentais a existência humana e do fazer museu a instância em todas as relações com o real. Recai na preocupação pela forma da vida, trazida pelos ecomuseus. Referencia Riviére como responsável pelo pensar ecomuseus como museus aberto a população, traçando a trajetória de Riviére, da procedência ligada ao meio rural até a atuação junto ao ICOM. Sintetiza os principais acontecimentos na evolução dos museus chegando a 1972 na Mesa Redonda de Santiago do Chile, pautada na discussão da atuação dos Museus da América Latina, da tipologia do Novo Museu, da Nova Museologia, ligada as aspirações da comunidade e do social, para chegar a pergunta: “o que muda na noção de Museu com as novas experiências museológicas e o movimento intitulado Nova Museologia. Quanto deste complexo cenário de mudanças está presente na percepção do Museu atual?” (p.6). Discorre sobre o “Real”, que já não é percebido como um todo, mas múltiplo. Uma nova concepção do real, argumentada pela ideologia de outros filósofos. Considera que o fundamento ontológico da Museologia é a percepção do real. Real diferente, expresso por cada sociedade, que determina a cada uma, uma nova concepção de Museu. O autor chega ao objetivo geral de sua dissertação colocando-o como: “analisar alguns conceitos que definiram, ao longo do tempo, o Museu e os seus desdobramentos na modernidade e pós-modernidade” (p.11), com os objetivos específicos de: “Trabalhar termos e conceitos que definem o fenômeno Museu e suas representações, partindo da origem mítica para chegar ao que se poderia reconhecer como Novo Museu; abordar comparativamente alguns dos principais documentos museológicos que tratam da Nova Museologia e do patrimônio integral; Analisar o desenvolvimento das experiências de museus ao longo do período moderno, para começar a compreender uma fenomenologia do Museu.” (p.11). Com base na fundamentação teórica segue as hipóteses: “O fenômeno museu só é possível de existir como experiência inerente ao indivíduo, e, portanto, é humano em sua essência; o Museu é uma instância mediática da relação do humano com a realidade, sendo ele o ponto de partida para a preservação do patrimônio; a face social do Museu deve estar presente em todas as suas tipologias de forma que todo museu corresponda às necessidades da(s) comunidade(s) a que serve.” Apresenta metáforas utilizando os quatro elementos da natureza para conduzir o conteúdo dos capítulos do trabalho. Água – movimento: desenvolvimento dos museus e a relação humana com o real. Terra- reencontro: relação humana com o território. Fogo –Mescla: hibridismo e espaço de encontro das diferenças. Ar – intangível: tudo que não se pode tocar; a memória. O autor volta a pensar sobre o olhar da janela para o jardim para fora, com a concepção de que primeiro deve-se recair o olhar para dentro de si apontando como desafio dos Museus.

 Corroboramos com o autor, que o olhar para fora, seja por uma janela, pode reverter-se em uma apreciação de si mesmo, permitindo um olhar mais distante. As relações humanas diante do real, as experiências obtidas em um Museu provocam mudanças, cujas transformações conduzem a novos horizontes, a exemplo do autor cuja experiência museológica o levou a chegar nesta dissertação.

 

REFERÊNCIA

SOARES, Bruno C. Brulon. Introdução: Árvores, florestas e jardins. In. Quando o Museu abre portas e janelas. O reencontro com o humano no Museu contemporâneo. 2008. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, UNIRIO/MAST, Rio de Janeiro, 2008. p. 1-13.



[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, jun. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Questões sobre museologia e patrimônio - resenha

RESENHA

Questões sobre museologia e patrimônio

 
Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]
 
Hugo xavier Guarilha : Doutorando em Museologia e Patrimônio no Programa de Pós Graduação em Museologia e Patrimônio UNIRIO/MAST (PPG-PMUS). Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2002) e mestrado em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (2005
Priscila Faulhaber Barbosa : possui graduação em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1978), mestrado em Antropologia pela Universidade de Brasília (1983) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas, na área "Itinerários Intelectuais e Etnografia do Saber" (1992). Atuou como pesquisador visitante no IRD (1984), na Universidade Livre de Berlim, no Museu de Etnologia de Berlim (2003) e na Universidade da Califórnia em Los Angeles (2007-2008), quando realizou pós doutorado com bolsa do CNPq.
Teresa Cristina Moletta Scheiner Bacharel em Museologia pelo Museu Histórico Nacional (1970), com Habilitação para Museus de Ciências; Licenciada e Bacharel em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (1977/78); MESTRE (1998) e DOUTORA (2004) em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - ECO/UFRJ. Professor Associado 2, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Coordenadora, Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio - PPG-PMUS, UNIRIO/MAST. Vice-Presidente, Conselho Internacional de Museus - ICOM (2010/2013, reeleita para 2013/2016). Editora Chefe, MUSEUM INTERNATIONAL.
 
Palavras chaves: Museologia. Patrimônio. Real
             Os autores discutem o conceito de musealização como um procedimento contínuo, complexo e crítico de captura do real e a relevância da musealização para a gestão do patrimônio da humanidade. Referenciam que “os teóricos da museologia precisavam definir ferramentas para compreender os novos modos como a sociedade passava a se apropriar de seu patrimônio e que a museologia como área de conhecimento supera o museus como instituição tradicional.” Argumentam a museologia como ciência que se fundamenta em um confronto com a realidade e como metateoria que busca o objeto de estudo da museologia não apenas dentro dos museus mas no momento em que o museu se faz necessário. É definido pelo teórico Deloche, como uma metateoria “uma filosofia do museal, encarregada de definir suas especificidades e seu campo de atuação”comentando que “os museus e experiências museológicas devem evitar o estabelecimento de verdades absolutas”.
A musealização e musealidade tema abordado pelos autores tem a citação de alguns teóricos sobre seus conceitos, quanto a musealização “é preservação de valores ideais de coisas entendidas enquanto signos”, são as práticas museográficas realizadas para a sacralização do objeto, “o ato de reconhecimento do signo que desperta o processo de memória”; a musealidade, ou museal, objeto primordial da museologia, é um processo dinâmico que reveste o objeto signo de uma qualidade especial.
Musealização e patrimonialização reflexionam a respeito desses dois conceitos a partir do termo museu “como espaço de reconstrução do mundo a partir de memória” e de signo que representa alguma coisa, o objeto, não como todos os seus aspectos mas como um tipo de ideia de representação. Com isso dizem que a musealização é um processo  contínuo de apropriação do signo no nível de representação ou do próprio signo, que é um objeto significativo para o grupo social. Musealizar implica em evidenciar o potencial simbólico do signo e sugere a preservação de significados e materialidade. Quanto a patrimonialização se diferencia da musealização por tratar-se do objeto e sua interpretação e não a seu signo, é aquilo que se consegue relacionar ao objeto em forma de valores de significados. Um patrimônio se realiza por meio de conceito e reconhecimento do objeto um sentimento de identidade de guarda de memória.
Museologia e Hermenêutica o autor diz que o reconhecimento de uma manifestação como patrimônio não depende da musealização, a manifestação surge como uma necessidade para a gestão patrimonial, da sua documentação, preservação pesquisa e comunicação. Questiona o sentido do termo museologia que poderia ser uma etapa do processo da musealização e obtém um resultado negativo quanto a musealização produzir conteúdo de conhecimento. O conhecimento no campo da museologia se produz por meio de envolvimento no tempo e na sociedade a uma apropriação dos signos para a construção ou transformação de uma realidade.
A captura do real, tema abordado pelos autores em que diz que dentro do real estão todas as realidades possíveis colocando a definição de real como tudo o que existe ou que é possível de existir, sendo ou não passível de ser reconhecido pelo ser humano – pensamento, projeções mentais, signos – define realidade como a forma como as coisas do mundo se apresentam ao sujeito. Define, também, a historicidade, como a ideia de que o ser humano está em contexto histórico e é a partir deste que se relaciona com o ambiente e com a sociedade e elabora as representações da realidade. “A ideia de apreensão do sensível direta do real, e não da realidade, nos parece decisiva para a constituição do campo teórico e prático da museologia” e argumenta que através do “processo de musealização o bem material é retirado de seu contexto histórico e passa a estimular uma reflexão crítica sobre seus significados potenciais.” A musealização conduz a uma massa de significados que nos leva a perspectiva de captura do real.
 Com a firmação de que os museus interferem na sociedade e colaboram para a transformação através das representações e significados com referência ao passado reformulando discursos, e as questões éticas afloram na museologia, com relação à veracidade das colocações das informações para o visitante, e com o compromisso com a sociedade mantendo sua função social de preservação de memórias.
 Os autores reflexionam sobre a zona de contato no campo da museologia, que dizem respeito a espaços em que as diferenças se colocam ou que grupos buscam trocas culturais em condições de reconhecimento mútuo ou igualdade e diz que a prática museológica é fundamentalmente libertadora em amplo aspecto e que a documentação se processa em nível de realidade e leva a reflexão  e conduz a identificar experiências museológicas.
Em sua conclusão final os autores comentam que a recriação a partir do centro de poder exclui os grupo periféricos e quando inclui é sem uma negociação, que a representação parte de uma concepção da realidade, mas uma vez que se realiza ela retorna a esse campo de modo a constituí-lo e transformá-lo. Representar os grupos com seus mitos fundadores é reconhecer os valores simbólicos e culturais de suas existências implicam na construção de uma realidade que privilegia o respeito mutuo. O domínio, de grupos específicos, dos meios de comunicação, por imagem cria a ilusão de um olhar único e tem a força de testemunho que induz a crença de sua fidelidade e de representação da realidade, mas por meio do conhecimento são promovidos novos discursos e a construção de um olhar próprio e apropriação do real. Os museus colaboram sobre a realidade que se nutre de representações que permitem que as comunidades criem discurso sobre si mesmo.  
Estamos em sintonia com os autores, na reflexão participativa dos grupos sociais nas construções da realidade e que a interferência dos meios de comunicações, especialmente o de imagem, podem induzir a falsas representações e pertencimento de uma realidade, mas ao mesmo tempo pode promover conhecimento e inter-relações entre grupos, que influenciaram na construção de um discurso próprio a realidade dos grupos sociais e que sem dúvida os museus colaboram com a realidade sobre as perspectiva do olhar da comunidade sobre si mesma.
 
REFERÊNCIA
 
GUARILHA, Hugo; SCHEINER, Tereza; FAULHABER, Priscila. Questões sobre Museologia e Patrimônio. Documentos de trabalho do 21º Encontro Regional do ICOFOM LAM 2012. Petrópolis, Nov/ 2012, p.143-157.
 


[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, abr. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com. Consta no blog pessoal.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Entre o reflexo e a reflexão: por detrás das cortinas da performance museal - Resenha

RESENHA

Entre o reflexo e a reflexão: por detrás das cortinas da performance museal

 

Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]

 

Bruno Cesár Brulon Soares: Bacharel em Museologia (2006), licenciado e Bacharel em História (2011) pela UNIRIO, Mestre em Museologia e Patrimônio – UNIRIO – (2008), Dr. Pelo programa de Pós –Graduação em Antropologia  - UFF (2012), Prof. Curso de Museologia da UNIRIO. Vice Presidente do ICOFOM (2013), membro do corpo editorial das revistas Musear, Jovem Museologia e Museology and Cultural Heritage.

 

Palavras-chave: Museus, Museologia. Identidade

Soares relata que existe um significativo estudo dos processos de mediação e performance. Porém não no campo da museologia, que tem este estudo pouco explorado, considerando que os museus produzem experiência em que elementos de um passado são representados no presente cuja mediação e dialogo se concretizam na performance, na ação de sujeito e para sujeito. Diz que “O Museu, como uma parte integrante da realidade social moderna, é uma instância consagrada onde performance e teatralidade podem se manifestar livremente.” (p.194), e, o que é real está atrelado a uma definição cultural. Por esta razão, a performance museal não é desprovida de consequências éticas. Ela envolve não apenas a verdade, mas aquilo que as pessoas pensam da verdade. Ao apresentar a cultura através do drama a uma sociedade, os museus interpretam o próprio drama do ‘museu’, seu sentido, sua autoridade, seu poder. Os objetos na exposição de um museu são objetos sobre os quais somos levados a pensar. Eles nos são apresentados pela performance. Somos levados a pensar sobre ele, já que, neste encontro, há um confronto. Descreve a atuação dos museus como um instituições que apresentam performances. Performance entendida como uma estrutura dramática, um enredo, que confere sentido e dá vida aos códigos comunicativos.

Compara o Museu a teatro, assim como foi anteriormente comparado a templos, igrejas, palácios, por apresentar performance dramática. Comenta que (p.195),“através da história, os museus flutuaram de um domínio a outro, se tornando mais e mais teatrais ainda que nunca abandonando a posição ritualística que os teria definido em um outro momento de sua existência institucional.” Com o ritual, os museus perpetuaram a crença no poder sagrado, como  templos eternos da verdade, capazes de sacralizar a realidade. Com o teatro, revelam que não há uma única verdade.  No Museu e teatro é apresentado um arranjo das coisas da realidade, no qual as coisas reais re-apresentam o real.  Há uma performance museal que é dialógica no encontro entre o objeto e o expectador e estabelece uma nova relação de realidade. A muselização é um processo subjetivo onde o objeto não é um fato isolado, carrega parte de seu passado e abre-se para a imaginação, com seu valor performativo. E o autor registra que “O que os museus musealizam, em última instância, não é a coisa em si, mas todas as relações que ela pode encenar, e os valores produzidos nessas performances.” (p.196),  que “[..] A essência dos museus, assim como a do teatro, é a apresentação.”

Em uma performance para que ocorra o dialogo entre os múltiplos é necessário uma separação, de ritos, de estruturas; transição ou liminaridade, que instaura a lacuna entre a vida social e o gênero da performance, teatralidade,um rito de passagem e uma restauração ou incorporação  iniciada pela sujeito. O autor reflete (p.197) que “Sendo o ritual a mediação entre a forma e a indeterminação, e a liminaridade o estágio do ritual que adere ao indeterminado e que evidencia as ambiguidades da sociedade, a performance pode ser entendida como um momento de reflexão porque ela expõe o caos na estrutura social.” E coloca que “Museu e teatro são instâncias nas quais as fronteiras entre realidade e fantasia são, com frequência, imprecisas.” (p.197).

 Para o autor a principal característica da performance é o comportamento restaurado. E em se tratando de comportamento restaurado traduz como um comportamento que pode ser armazenado, transmitido e manipulado, que pode restaurar o passado, que está sujeito a revisão. Faz analogia com uma máscara como um estado liminar, que pode representar a si mesmo ou não. Como comportamento restaurado deve convencer a sua legitimidade devem atuar como ação regenerativa estabelecendo uma ponte entre o presente e o passado, uma ação pertencente aos museus.

O autor comenta o paradigma do espelho e a performance museal, paradigma de representações identitárias reflexivas, instrumento de autoconhecimento e reflexão. E diz (p. 201) “O museu, como performance, é a própria atuação, ou o jogo de atuações por parte dos atores engajados na performance cultural. E as performances são, em si, negociações constantes de sentido que estes atores dão vida no palco. Por isso a atuação é também reflexão – e não apenas reflexo.” Manifesta que museus não são vitrines, não são espelhos de seus visitantes,  mas plataformas de performance, reflexiva, feitos daquilo que apresentam. Desmitifica a parábola do espelho colocando que o museu é uma representação e não uma simples produção de imagem. Os museus acrescentam algo mais a realidade que é a performance que são traduzidas pela experiências vividas.

O diálogo entre o museu e o público é um encontro de experiências, um encontro de expectativas, que são o principal ingrediente da performance. O trabalho do museu é o de dar algo e receber algo em troca. Finaliza dizendo (p.203) que: “museus não podem ser concebidos como templos ou fóruns, palácios ou cemitérios, porque é muito mais útil pensá-los como palcos.”

O autor propõem uma teoria de performance, trazendo uma analogia do teatro usada para explicar a relação do museu com o público, encontro com o autêntico com o real  colocando que a través da performance os museus acrescentam algo a mais à realidade. Utilizando exemplo como ecomuseus a metáfora do espelho em uma comparação para abordar a performance museal e como esta pode restaurar o passado através da ação regenerativa. Museus que apresentam sua performance e a performance do público, produzindo diálogos reflexivos. Argumentamos que o campo da Teoria Museológica está em aberto e entendemos que a performance, não é exclusiva deste espaço, mas,  é um elemento existente dentro deste campo que pode ser traduzida por desempenho do museu, ou desempenho do musealizado na presente relação que o museu proporciona.   

 

REFERÊNCIA

SOARES, Bruno Brulon. Entre o reflexo e a reflexão: por detrás das cortinas da performance museal. Documentos de trabalho do 21º Encontro Regional do ICOFOM LAM 2012. Petrópolis, Nov/ 2012. p.192-204.



[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, mar. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com.

domingo, 31 de maio de 2015

A experiência museológica: Conceitos para uma fenomenologia do Museu - Resenha


RESENHA

A experiência museológica: Conceitos para uma fenomenologia
do Museu


Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]

 

Bruno Cesár Brulon Soares: Bacharel em Museologia (2006), licenciado e Bacharel em História (2011) pela UNIRIO, Mestre em Museologia e Patrimônio – UNIRIO – (2008), Dr. Pelo programa de Pós –Graduação em Antropologia  - UFF (2012), Prof. Curso de Museologia da UNIRIO. Vice Presidente do ICOFOM (2013), membro do corpo editorial das revistas Musear, Jovem Museologia e Museology and Cultural Heritage.

 

Palavras-chave:  Museus, Museologia. Experiência

Em suas considerações iniciais o autor coloca que o uso do museu pelas pessoas não somente para contemplação, mas como uma experiência de si. A evolução do relacionamento que vem a se traduzir em um movimento de uma nova museologia focada no humano como objeto, sujeito ao complexo da sociedade, na sua relação e apresentação, na forma que se produz no mundo. O autor evoca o temo de “ciência do impreciso” (p.56) condicionante a museologia ser uma ciência em desenvolvimento, por ainda ter seu objeto em discussão. Diz que é um “Campo do saber ainda em constituição, não há como estabelecer seguramente os seus limites” (p.57), e que há uma comunidade científica recém-nascida, que passa a pensar os seus limites como ciência.

Faz uma abordagem filosófica sobre a museologia utilizando a ontologia parmenidiana fundamentada na essencialidade do múltiplo, considerando que o museu será diferente para cada indivíduo e o indivíduo diferente para cada museu diante das várias realidades sociais e de cada modelo do real.  Comenta que  é “contemplando as relações humanas com esse real múltiplo que a museologia passa a se caracterizar como uma ciência humana” (p.58). Objetiva atribuir um caráter científico, teórico, em detrimento a visão direcionada ao aspecto prático incorporado no campo da museologia. Traz as considerações ontológicas de Gregorava[2] (p.59) para explicar a museologia como pertencente a ciências humanas ou sociais, na relação múltipla homem com a realidade.

Evoca a origem dos Museus em mudanças de concepção no decorrer dos tempos do significado de templos das musas a que não consistia em um museu no significado atual ou no sentido moderno, do qual aparece no século XV com variação do termo, para designar ou referir-se a coleções. Desenvolvendo o modelo clássico de museu, de cultura ocidental, chega aos dias atuais caracterizados pela capacidade de atuar na relação do homem, pela realidade de pertence da coletividade, pelo relacionamento espaço tempo.

O museu alicerçado pelo pensamento europeu moderno, responde a questões sociais, abrindo suas portas à população após o advento da criação do Louvre, em 1973. A partir deste evento os museus evoluem. Abrem-se novos museus com modelos conceituais diferenciados, surgindo museus (1790) ao ar livre, marco das mudanças. Com relação as transformações o autor comenta: “o que se percebe, a partir de então, é que cada vez mais, nos museus dos últimos dois séculos, a coleção, como principal objeto, dá lugar às experiências humanas no espaço musealizado e, logo, passa-se a valorizar mais as interações humanas com os objetos e os meios do que os objetos em si mesmos” (p.61), caracterizando os modelos de “museu social” [3] e principiando o modelo de ecomuseus. O autor aborda o movimento da Nova Museologia[4] ou “museologia de ação”, face ao fenômeno histórico que se formou provocado pela mudança no papel social do museu e pelas relações que se estabelece com o real, preservando memória e valores.

O entendimento do ICOFOM do Museu como fenômeno social, é de que as reflexões sistemáticas sobre o objeto da museologia dispensaria definições normativas.  Entra em pauta esta desmistificação pela atitude de mudanças dos museus que passam a olhar não só suas coleções, mas o que está fora: as pessoas. As experiências diversas, a preservação de território limitado, voltados à comunidade. A evolução dos museus tradicionais o surgimento de museus de vizinhança[5], com as funções voltadas a vida das pessoas da vizinhança de forma a explicar quem elas são e seus valores de promover a educação.  Surgem novas formas de museus que superam o contemplar para o experimentar;  em um sentido mais amplo de relação. Museus exploratórios, de ciências tecnologias, da descoberta, que priorizam o ensino, vão surgindo ao longo do século XX. Priorizam a construção de experiências interagindo de várias maneiras, permitindo a experiência humana do real.

O autor coloca a discussão sobre Museologia ser uma ciência ou trabalho prático, como um fenômeno instaurado pela indefinição do objeto de estudo, chamando a atenção para ideologia dos diversos autores sobre os termos: museologia, museografia, teoria de museus, museístico. Termos que se reportam a museus cujo campo chega aos nossos dias com a indefinição como ciência. Discute a musealidade como objeto da museologia, produto da relação do homem com a realidade. Objeto não focado apenas nas coleções e ultrapassando o sentido de trabalho prático exercido pelos museus, que estes não são estruturas únicas, mas dinâmicas. Aponta o iniciar de uma fenomenologia de Museus.

Surge a base essencialmente filosófica de uma teoria museológica, uma forma específica de pensar museu e museologia. Segundo o autor (p.66) ,“O Museu passa a ser estudado por grande parte dos teóricos como um fenômeno social dinâmico, o que daria possibilidade à museologia de se tornar uma ciência humana. Pensar uma fenomenologia do Museu significa pensá-lo em movimento, num constante processo de atualização de si mesmo, pois é assim que se comportam os fenômenos.”

 Baseado nesta fenomenologia chama de experiência museológica a relação humano-realidade que acontece no Museu. Experiência museológica traduzida na compreensão das experiências da relação espontânea, da percepção do real, pelo indivíduo humano. O autor comenta sobre a experiência dizendo que “não são colecionáveis, são transitórias e elusivas, estritamente localizadas, não no tempo ou no espaço, mas no indivíduo humano somente.” Os museus com suas  subjetividades, permitem esse  diálogo como base de experiência.  Reflexiona a questão da existência dos objetos clareando que os objetos são importantes suportes da constituição da experiência museológica que muda a percepção do objeto, ficando o propósito de promover uma experiência subjetiva, estética e assume a forma de tornar o mundo inteligível aos sentidos.

O autor coloca que nasce um novo museu, com ausência da instituição, baseado na experiência e no próprio indivíduo humano, na ligação humana e real.

Questiona se “Existem limites para o Museu?” (p.70) e diz que o desafio maior e a falta de limites, que gera instabilidade, que leva em direção ao inexplorado, mas, que as descobertas serão palpáveis.

O texto do autor procura a essência do objeto da museologia através da relação pertencente ao indivíduo humano externada pelas experiências que o real lhe proporciona, para conceber a museologia como ciência humana com objeto de estudo próprio com base no fenômeno Museu e no objeto da experiência museológica, o que se entende ser uma teorização que requer outros olhares, pelo complexo do assunto “Fenômeno Museu” e pelo insipiente estudo quanto as “experiências museológicas”.

 

REFERÊNCIA

SOARES, Bruno C. Brulon. A experiência museológica: Conceitos para uma fenomenologia do museu. Revista Museologia e Patrimônio, vol.5, n°2, 2012. p.55-71.



[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, mar. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com.
[2] Gregorová, Ana.  Museological working papers no 2/1981. MuWop, n 2.  P. 33 Disponivel em: http://network.icom.museum/fileadmin/user_upload/minisites/icofom/pdf/MuWoP%202%20(1981)%20Eng.pdf Acesso em: 25 mai 2015.
[3] Scheiner, T. C. As bases ontológicas do Museu e da Museologia. In: SIMPÓSIO MUSEOLOGIA, FILOSOFIA E IDENTIDADE NA AMÉRICA LATINA E CARIBE. ICOFOM LAM, Coro,Subcomitê Regional para a América Latina e Caribe/ICOFOM LAM, p.133-143, 1999.
[4] . Em1984, a Declaração de Quebec dá força às novas ideias, criando o Movimento Internacional para uma NovaMuseologia
[5] KINARD, John R.; NIGHBERT, Esther. The Anacostia Neighborhood Museum, Smithsonian  Institution, Washington, D.C. Museum, v. XXIV, n. 2, 1972.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Quem são e o que são os museólogos? – resenha temática

Quem são e o que são os museólogos?
 
Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]
 
Waldisa Russio Camargo Guarnieri (1935/1990): Nasceu em São Paulo, graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1959. Mestrado na Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1977 e doutorado em 1980. Na década de 1960, desempenhou múltiplas atividades docentes e funções administrativas junto ao serviço público estadual. No final de 1970, foi nomeada diretora técnica do Museu da Casa Brasileira, cargo no qual permaneceu até 1975. Nesse ano, passou a exercer as funções de assistente técnica para museus na Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado. Mestre pela Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com a dissertação Museu: um aspecto das organizações culturais de país em via de desenvolvimento (1977).
 

Resumo
Waldisa Russio no tópico 3.4 do livro organizado por Bruno (2010), tematiza “quem são e o que são os museólogos”, em uma trajetória de tempo, evidenciando as importâncias desta profissão que chega ao século XXI, mais reconhecida.
Palavras chaves: Museólogo. Categoria Profissional
 
Resenha reflexiva
Guarnieri (s.d.) retroage no tempo falando de como era percebida a profissão de museólogo. Começando pela atribuição de conservador de museu e num passar de tempo para museólogo, mas de difícil interpretação quando em resposta a profissão. Afirma que o termo museólogo vem se consolidando com o passar dos anos, tendo a sua função melhor compreensão, especialmente, pelo avanço do campo da ciência museológica. Pelo espaço que ocupa a instituição museal, que alterou o conceito e a nomenclatura que designa o profissional desta área.


Na ideia remetida ao passado a autora procura a origem da profissão em decorrência da guarda dos tesouros. Esta guarda teria sido atribuída à classe sacerdotal. Quanto a curadoria de coleções seria uma atividade ou um emprego de pouco trabalho. Restou para o cargo de museólogo o vestígio elitista, a inclinação, o dom para atividade, e, na escolha de direções entre os homens de notável saber. Após a revolução francesa, os cargos de direção de museus continuam elitistas em uma mentalidade paternalista, destinados a incumbência de salvaguardar os bens com critério de raridade, originalidade, estética, documental e representativo. Em poucos casos o designo caiu sobre um cientista. Os tempos mudaram o entendimento da profissão com o crescente da Museologia atual.


Guarnieri (s.d.) comenta que a pouco mais de 20 anos não se tinha em consideração uma atividade museológica como mercado de trabalho e como profissão[2]. Que problemas ainda existem, mas que há progresso e desenvolvimentos tanto na área profissional como do campo da Museologia. Considera o museólogo um homem comum em meio à multidão, enfrentando problemas sociais como todos os outros homens, mas um profissional que tem uma formação adequada, universitária, vocacionado e reciclado constantemente, com dever de um trabalho profissional. Preferencialmente com pós-graduação em caráter interdisciplinar, em processo continuo de educação. O museólogo é um técnico quando exerce seu trabalho cotidiano, com noções de conservação, comunicação, com funções de curador, que conheça o objeto testemunho (identificação, classificação, pesquisa, documentação, etc.) que conheça o homem, a natureza da relação e o cenário no qual o homem e o objeto dialogam.
 
             No tocante a profissão de museólogo, temos a inferir que a Lei 7.287/84, dispõe em seu segundo artigo que o exercício da profissão de museólogo é privativo dos diplomados de bacharelado, mestrado e doutorado em museologia.
Sobre a ação do museólogo a autora se reporta que o dever deste profissional deve estar na ação correta, coerente e ética, sendo alicerçada sua categorização profissional quando ligado ao organismo que os defendem e o representam.
Referimos-nos a Lei 7.287/84[3], que como a autora se reporta as ações ou atribuições da profissão de Museólogo, em seu artigo terceiro, definindo em 14 itens tais atribuições dos quais chamamos a atenção sobre o segundo item, sem desprezar os demais:
 - planejar, organizar, administrar, dirigir e supervisionar os museus, as exposições de caráter educativo e cultural, os serviços educativos e atividades culturais dos museus e de instituições afins;
Item que abrange uma série de atividades que o profissional deve ter ciência em seu cotidiano profissional, e que por si só já justificaria a profissão de museólogo, diante deste complexo de atividades conjugadas no infinitivo.
Outrossim, chama-se a atenção a ação de categorização profissional, que deve estar instituída pelo Conselho Regional de Museologia COREM de cada Região  um órgão de personalidade jurídica de direito público, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e que tem por finalidade o registro, a orientação, a disciplina e a fiscalização do exercício da profissão de Museólogo, entre outras competências[4].
             A autora argumenta que o museólogo é um trabalhador social, um agente consciente de seu papel profissional, diante da sociedade. Ciente de pertencer a sociedade, de situar e viver os problemas sociais, pois é um comum no cotidiano. Que sua atuação profissional participa da recuperação da identidade cultural, que no ajudar a fazer o mundo do homem, se realiza como homem e profissional.
            Neste tópico chamamos a atenção para a conceituação de trabalhador social como cunho importante da atividade do profissional de museologia, nisto transcrevemos os dizeres de Bezzera (2012), resumindo  o trabalho de Paulo Freire: Educação e Mudança.
 
Qualquer que seja o momento histórico em que esteja a sociedade, seja o do viável ou do inviável histórico, o papel do trabalhador social que optou pela mudança não pode ser outro senão o de atuar e refletir com os indivíduos com quem trabalha para conscientizar-se junto com eles das reais dificuldades da sua sociedade. Isso implica a necessidade constante do trabalhador social de ampliar seus conhecimentos e finalmente, o ímpeto de mudar para ser mais[5].
 
            Percebe-se na atualidade que este profissional vem obtendo um espaço significativo obtido pela militância dentro da sociedade esclarecendo a importância de suas atribuições Uma profissão que ganha mercado por reunir profissionais, éticos, engajados com o espaço museal, com formação acadêmica abrangente que o valorizam e adiciona valor ao local de seu trabalho.




 
Citações em destaque
 
p.   238 “Museologia e Museu se dessacralizam e vão se constituindo, respectivamente, em arcabouços científicos e cenário de fato museológico. Na medida em que crescem em seu caráter científico, despem-se de sua sacralidade e, por isso, não exigem sacerdotes, mas profissionais competentes e conscientes.”
p.  239 “Muitos avanços se fizeram e talvez a maior conquista venha sendo o reconhecimento crescente da Museologia como ramo do conhecimento científico e do museólogo como cientista e profissional.”
p. 240 “O museólogo é, pois, alguém adequadamente formado, vocacionado e constantemente reciclado, o que pressupõe a clara consciência do museu como centro interdisciplinar e “obra aberta”, em meio à dinâmica social e humana.” 
p.  241 “O museólogo é pois um técnico, na medida em que exerce seu trabalho cotidiano, aplicando conhecimentos científicos extremamente diversificados e complexos.”
p . 241 “Assim, exige-se do Museólogogo que conheça o objeto testemunho [...], o homem, [...] a natureza [...] o cenário, [...] o objetual, o humano e o social e as suas múltiplas redes de interações.



 
REFERÊNCIA
 
GUARNIERI, Waldisa Rússio Camargo. Quem são e o que são os museólogos? In: BRUNO, Maria Cristina Oiveira (org.). Waldisa Rússio Camargo Guarnieri: textos e contextos de uma trajetória profissional. Vol.1, 1.ed., São Paulo: Pinacoteca do Estado; Secretaria de Estado de Cultura; Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus, 2010. p. 237-241


[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, mar. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com. Consta no blog pessoal.
[2] Lei 7.287 de 18.12.1984, dispõe sobre a regulamentação da Profissão de Museólogo.
[3] Brasil, Lei 7.287/87, disponível em; http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/LEIS/L7287.htm.  Acesso em 08 mai. 2015
[4] Corem3. Disponível em; http://corem3.com.br/ Acesso em: 08 mai. 2015.
[5] Bezerra, Geisa Lopes. O papel do trabalhador social  no processo de mudança, 2012. Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/o-papel-do-trabalhador-social-no-processo-de-mudanca/82783/#ixzz3Zberknj5 Acesso em; 08 mai. 2015.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Sistema da Museologia -Resenha

RESENHA
Sistema da Museologia
 
Rogerio Carlos Petrini de Almeida[1]
 
Waldisa Russio Camargo Guarnieri (1935/1990): Nasceu em São paulo, graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1959, na década de 1960, desempenhou múltiplas atividades docentes e funções administrativas junto ao serviço público estadual. No final de 1970, foi nomeada diretora técnica do Museu da Casa Brasileira, cargo no qual permaneceu até 1975. Nesse ano, passou a exercer as funções de assistente técnica para museus na Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado. Mestre pela Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com a dissertação Museu (1977).
 
Palavras chaves: Museologia. Museus. Sistema da Museologia.
             
A autora introduz seu texto comentando que a museologia é uma ciência em não sendo seria uma disciplina científica independente, tendo como objeto da museologia o fato museológico, instituído pela relação profunda entre o homem e o objeto, sendo esta relação percebida em vários níveis, uma relação homem-realidade em outras ciências, porém visionando que o fato museal ocorre somente na museologia.
Relembra no texto que o fato museal, relação homem-objeto segue as premissas: o homem como um projeto inacabado, em constante evolução; o objeto, num contexto espaço-temporal, documento e testemunho de uma realidade suscetível de ser conhecida; o enclave museu como um processo contínuo dentro da realidade do homem e do social, em que coloca o objeto e o homem diante de si.
Para a autora a natureza do conhecimento museológico está na consideração do todo, de saber fazer para a técnica museográfica, não deixando de abranger o fato museal e o inter-relacionamento com várias ciências incorporando a natureza do objeto que é tratado na museologia, constituindo um ramo específico do conhecimento que não dispensa a prática. Considera a Museologia como uma ciência em construção, como um sistema de questão aberta com diferentes domínios do conhecimento museológicos, e discute, também, a questão dos subdomínios e seus respectivos objetos e da interação destes diferentes domínios da museologia.
 
  Os objetivos do conhecimento museológico, para a autora, é o conhecimento claro e intenso do fato museal e da condição de territorialização e pertencimento do Museu, e do contexto espaço temporal sob o olhar da comunidade. Define a museologia, sob a ideia de Neustupny[2], como a “teoria e a metodologia do trabalho do museu”.
A autora tem o ponto de vista de que a interdisciplinaridade é o método do conhecimento museológico, que os diferentes campos de conhecimento interagem no campo museológico e que o ensino e a informação por consequência do campo multidisciplinar será o trabalho nos museus. No nível do museu, sob a condição de espaço fechado, limitado, o método interdisciplinar previamente supõe a presença de diferentes disciplinas e profissionais; considera a ação do museólogo como profissional apto às ações de diferentes domínios; que é possível uma ação dinâmica com a comunidade onde o museu é o agente de ligação. No nível do ensino considera professores e alunos em um quadro interdisciplinar orientado pela e para a museologia, com ensino democrático na relação aluno professor. No nível da ciência museológica permite-se uma visão de diferentes campos científicos e uma sistematização de novos dados científicos, a criação de um espírito de receptividade à critica; e no nível profissional e científico do museu  a autora aborda que a interdisciplinaridade  permite a viabilidade de reflexões crítica contínua e constate sobre a Museologia e sobre os seus profissionais.
Da mesma forma que a autora, inferimos quanto ao objeto da museologia ser o fato museal e que a interdisciplinaridade atua como principal método de conhecimento deste campo, pela sua abrangência, que necessidade de especialistas de outras áreas. Vê-se que o objeto do acervo, a conservação, preservação pesquisa não caminha isoladamente dentro da museologia e necessita de múltiplos profissionais com formação voltada para este complexo.
 
 
 
REFERÊNCIA
 
GUARNIERI, Waldisa Rússio Camargo. Sistema da Museologia. In: BRUNO, Maria Cristina Oiveira (org.). Waldisa Rússio Camargo Guarnieri: textos e contextos de uma trajetória profissional. Vol.1, 1.ed., São Paulo: Pinacoteca do Estado; Secretaria de Estado de Cultura; Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus, 2010. p. 127-136


[1] Aluno do Curso de Museologia – FABICO / UFRGS. Trabalho realizado como pré-requisito para avaliação parcial da disciplina Teoria Museológica (BIB03239), ministrada pela Professora Ana Carolina Gelmini de Faria. Porto Alegre, mar. de 2015. E-mail: rogériopetrini@gmail.com. Consta no blog pessoal.
[2] Jiri Václav Neustupny (1933-Tchecoslováquia), linguista e um dos fundadores da teoria da administração do idioma.La muséologie, science ou seulement travail pratique Du musée? MUWOP,1980.